O governador da Bahia, Rui Costa (PT), subiu o tom, ontem, e fez uma dura crítica aos três primeiros meses do governo do Jair Bolsonaro (PSL), ao ser perguntado sobre a articulação política do presidente para aprovar a reforma da Previdência. O petista afirmou que não esperava que o governo fosse “um desastre tão grande”.

“Vocês [jornalistas] acompanharam minha fala [contra Bolsonaro] durante toda a campanha. [Mas] por mais que eu acreditasse que não seria um governo exitoso, eu nunca imaginei que o desastre seria tão grande. É realmente algo muito preocupante, com três primeiros meses, e é um absoluto desencontro. Há uma absoluta falta de proposta e de rumo para o país. Estou, de fato, assustado e muito preocupado com rumo do Brasil. Infelizmente, a conta vai acabar caindo para os mais pobres, os desempregados, o nordestino, para aqueles que precisam que o Brasil cresça para ter o mínimo de dignidade em vida”, afirmou, durante entrega de equipamentos para agricultura familiar em 368 municípios, no Parque de Exposições, em Salvador.

O governador ainda criticou a prisão do ex-presidente da República, Michel Temer (MDB), ao chamar de “espetáculo midiático”. Ontem, a decisão assinada pelo desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), libertou o emedebista. Ao se referir à Polícia Federal e ao Ministério Público, Rui afirmou que “instituições que deveriam ser serenas, cautelosas e moderadas estão promovendo espetáculos midiáticos” que “contribuem para afundar a imagem do Brasil no exterior“. “Eu fico à vontade para falar. Fui oposição ao ex-presidente da República, que tem endereço certo, 78 anos de idade. Todo mundo sabe onde ele mora. Precisava prender no meio da rua, sendo filmado? Isso parece capítulo de novela. Vamos fazer justiça com espetáculo?”, perguntou.

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