A Nissan Motor divulgou uma declaração nesta terça-feira (7) sobre a fuga para o Líbano do ex-presidente de seu conselho de administração, o brasileiro Carlos Ghosn.

A empresa considera  a partida, sem autorização judicial e violação das condições da fiança, de “ato que desafia o sistema judicial japonês” E diz que para a Nissan, a situação é “extremamente lamentável”.

Segundo a declaração, a empresa determinou que Ghosn não tinha condições de servir como seu executivo e, por isso, o removeu de todas suas funções após uma minuciosa investigação interna. Ele foi preso pela primeira vez em 2018 e atualmente cumpria prisão domiciliar.

Ghosn teria fugido do Japão, sem que as autoridades de imigração percebessem, escondido na carga de jatos particulares.

A Nissan afirma que vai continuar a adotar as medidas legais apropriadas para responsabilizar Ghosn pelos danos que seus atos irregulares causaram à empresa.

Também nesta terça-feira (7) a justiça do Japão emitiu mandado de prisão contra a esposa de Carlos Ghosn por falso testemunho.

Entrevistada durante investigação em curso contra o marido, Carole Ghosn afirmou que não o via há meses e negou que fosse cúmplice. Desde dia 30 abrigado no Líbano, Carlos Ghosn é alvo de pedido de detenção por parte da Interpol, a polícia internacional, que já foi negado pelo governo de Beirute.

O periódico americano The Wall Street Journal informou que a fuga de Carlos Ghosn foi planejada detalhadamente durante meses.

O jornal citou fontes que teriam dito que o plano envolveu uma equipe de 10 a 15 pessoas de distintas nacionalidades. Também disse que os membros da equipe fizeram mais de 20 viagens ao Japão, onde visitaram no mínimo dez aeroportos.

Um dos integrantes do grupo disse que havia grande falha na segurança do Aeroporto Internacional de Kansai, uma vez que o terminal de jatos particulares é praticamente vazio, a menos que haja algum voo chegando. Ainda segundo as fontes, a pessoa teria dito que bagagens demasiadamente grandes não se ajustam aos padrões dos scanners do aeroporto.

O jornal citou fontes segundo as quais Ghosn tomou a decisão definitiva para levar adiante o plano no final do mês de dezembro, após obter indícios de que seu julgamento levaria anos e também porque a corte recusou que ele se encontrasse com sua esposa durante os feriados de fim de ano.

Um advogado de Ghosn no Líbano disse à NHK que seu cliente concederá entrevista coletiva amanhã (8), às 15h, em Beirute, a primeira desde que deixou o Japão.

Compartilhar