O prefeito ACM Neto (DEM) criticou nesta segunda-feira (8) a postura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em retardar a divulgação de dados sobre as vítimas da covid-19 no país. Além de divulgar o boletim cada vez mais tardiamente, ontem o Ministério da Saúde publicou números discrepantes para a imprensa e no site oficial.

Neto classificou o caso de “absurdo”, destacando que com mais de mil mortes por dia em média é inaceitável estar discutindo esse assunto com tanto a ser feito. “Isso é um crime, absurdo, inaceitável. Penso que o Ministério da Saúde está revendo essa posição”, diz.  “O pior é querer dizer que a divulgação não vai acontecer para os telejornais não reproduzam os números. É inaceitável, é brincar com a vida humana. Inaceitável essa posição do governo”.

“Vou trazer um exemplo concreto de como essa decisão atrapalha e muito. Eu faço toda noite uma reunião com 33 pessoas do núcleo de enfrentamento ao covid-19. Basicamente pessoas que estão na linha de frente da operação em Salvador. A gente começa a reunião normalmente 20h. E a reunião é longa, densa. A gente começa exatamente pela análise dos dados. O ponto de partida é a análise dos dados. Hoje em dia a gente começa a reunião sem saber quais são os números do coronavírus no Brasil”, destacou.

O prefeito também criticou a posição do governo federal em relação ao isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus, afirmando que esta prejudica o distanciamento em todo país.

“A gente precisa entender o coronavírus com a realidade do Brasil. Hora nenhuma aqui, principalmente em função de uma posição dissonante do governo federal, fez-se o isolamento completo. Prefeitos e governadores tentando fazer o isolamento e o governo federal dando sinais em outra direção, o que é muito ruim. Talvez já pudéssemos estar em uma fase de retomada adas atividades com muito mais consistência do que estamos”, afirmou Neto.

Segundo Neto, os indicadores agora mostram uma estabilidade do isolamento em Salvador. “Ou seja, não tem havido oscilação significativa nem no aumento nem na redução da taxa de isolamento. Entendo que é o possível. Agora, quando você vai para os bairros, as oito regiões que estão sob os cuidados especiais, aí a taxa é muito maior, com o fechamento completo das atividades econômicas, ficam apenas funcionando as essenciais, então você acaba tendo um índice de isolamento muito grande, creio eu que chega a mais de 70%”, diz.

Por Gil Santos com informações do Correio da Bahia

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