Originado na cidade chinesa de Wuhan, o coronavírus vem causando preocupação mundial pelo alto poder de transmissão. Segundo dados oficiais, a doença já causou mais de 80 mortes e cerca de 2,7 mil contaminações. Mesmo sem nenhum caso confirmado, o País entrou no nível de alerta 1, em uma escala que vai de 1 a 3, e especialistas chamam a atenção de unidades de saúde para que se preparem e possam atender adequadamente possíveis ocorrências do vírus.

“Neste momento, a gente não tem na Bahia nenhum caso suspeito de coronavírus, mas isso não tira a chance de ter alguém infectado aqui em algum momento. Por isso, é fundamental que as unidades de saúde se preparem, para que no momento em que chegar algum doente com potencial de ter coronavírus, que elas possam atender adequadamente sem que eles contaminem outras pessoas”, afirmou o médico infectologista Dr. Antonio Carlos Bandeira.

Para o médico, este é um momento de preparo para as unidades de saúde, para a possibilidade da chegada do vírus no Brasil. Com alto poder de contaminação, o vírus é RNA, respiratório, que se multiplica em uma cobertura das células do trato respiratório, nos brônquios, pulmão, e outras partes do corpo. “Por isso que causa doença respiratória”, disse Bandeira. Os sintomas são febre, tosse e dor de garganta, até fazer um quadro de pneumonia grave.

De acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), o coronavírus  é considerado de risco “elevado”, pelo grau de contaminação internacional. A classificação foi corrigida, inclusive, nesta segunda-feira, 27, pois a organização havia declarado que o vírus seria de risco “moderado”.

“É muito grave para pessoas idosas e crianças. No Brasil, ainda não teve nenhum caso definido, só suspeito. O mais importante é mapear os locais de onde tiveram o caso. Eu, se fosse autoridade sanitária, faria quarentena nos chineses que chegassem no Brasil para prevenir”, declarou o médico infectologista Dr. Roberto Badaró. Segundo ele, a maior preocupação deve ser com a possibilidade de a doença chegar no País.

Medidas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a atenção para casos suspeitos de coronavírus em portos e aeroportos, em especial nos que recebem passageiros procedentes da China, local onde foram registradas as primeiras ocorrências do vírus.

Apesar de aumentar o alerta, a agência informou que não vai mudar os procedimentos que já eram adotados para outras doenças. Com isso, as principais recomendações são lavar as mãos, sobretudo antes de consumir alimentos, usar lenços descartáveis e cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir (veja abaixo dicas de cuidados básicos).

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, é considerado caso suspeito do novo coronavírus a pessoa que apresenta sintomas da doença, como febre, tosse e dificuldade para respirar. Além disso, o paciente precisa ter viajado para área com transmissão ativa do vírus nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas. Nesta segunda, a pasta descartou a doença em um homem em Niterói, no Rio de Janeiro.

Desde o fim de semana, os aeroportos brasileiros, incluindo Salvador, divulgam alerta da Anvisa sobre o coronavírus. A mensagem reforça procedimentos de higiene e diz que os passageiros que apresentarem sintomas relacionados ao vírus devem procurar um agente de saúde.

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