Por Shagaly Ferreira

Diante do aumento de casos de coronavírus na Bahia, inclusive na capital do Estado, a Prefeitura de Salvador anunciou na segunda-feira, 16, que passará a adotar medidas que restringem a circulação de pessoas nas ruas, que vão desde a suspensão de aulas até o fechamento de cinemas. Para o secretário de Saúde, Leo Prates, determinações ainda mais drásticas poderão ser tomadas para conter o avanço da doença. O assunto foi tema de entrevista nesta terça-feira, 17, na Rádio A Tarde FM.

“Hoje a Itália tomou a decisão de deixar de atender quem tem mais de 80 anos e isso é muito triste. A Itália está tendo que escolher quem vive e quem morre com esse vírus e a Organização Mundial de Saúde (OMS) soltou uma nota, ontem, dizendo que o único caminho para o enfrentamento ao coronavírus é o isolamento. Eu e o secretário Fábio Vilas-Boas vamos trabalhar juntos em relação aos voos e viagens rodoviárias vindos do Rio e de São Paulo, monitorando temperatura, fazendo exames, acompanhando com bastante atenção e medidas mais duras ainda poderão vir”, explicou.

Por causa da alta capacidade de transmissão, Prates destaca que o convívio com a Covid-19 é o maior desafio que a humanidade está enfrentando, visto que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até quatro outros indivíduos. Então, recomendações rígidas de higiene, como limpeza de superfícies de trabalho e das mãos, são necessárias. “Não estamos no nível de São Paulo e Rio, mas também não podemos nos acomodar e achar que a gente não pode chegar lá. Então temos que agir rápido”.

Superlotação

Uma das medidas que precisam ser observadas, para o secretário, é evitar a sobrecarga do sistema de Saúde de forma geral, principalmente quando o coronavírus tiver um avanço mais expressivo.“Um conselho aos aposentados e pensionistas: se não tiverem uma atividade comercial ou um trabalho, fiquem em casa em prol da sua própria saúde. Aos pais e às mães, nós estamos suspendendo as aulas, mas não são férias, são medidas para restrição de isolamento”, alertou.

Em uma tentativa de equilibrar a oferta e a demanda, em relação aos espaços de atendimento, que continuam funcionando normalmente para atenção de outras enfermidades, Prates concluiu que a população também pode colaborar evitando a superlotação das unidades com o tratamento de doenças de menor gravidade.

“Faço um apelo à população, se você chegar na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e for identificado com a pulseira azul ou verde, se desloque para uma unidade básica de saúde, pois os identificados assim são pacientes sem gravidade. Esse esforço coletivo se dá porque as UPAs e PAs (Pronto-Atendimentos) serão a porta de entrada para o coronavírus e estão preparadas para isolar até dez pessoas. Porém, para fazer isso, a gente precisa que elas estejam descontingenciadas” pontuou o secretário.

Compartilhar