O empresário Fernando Bittar, um dos donos no papel do sítio em Atibaia (SP) frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou à força tarefa da Operação Lava Jato que a mulher de Lula, Marisa Letícia, coordenou parte das obras feitas na propriedade rural a partir do fim de 2010.

Indagado sobre quem foi o autor dos pagamentos das obras, Bittar disse não saber e ressaltou que tal questão deveria ser esclarecida pela mulher de Lula, informou o advogado do empresário, Alberto Toron, que acompanhou o depoimento prestado em Curitiba nesta segunda (7).

De acordo com Toron, Bittar disse no testemunho que também não pagou pelas peças de cozinha compradas e instaladas no sítio em 2014.

SP - CARNAVAL/GAVIÕES DA FIEL - GERAL - A ex primeira-dama Marisa Letícia em   desfile da escola de samba Gaviões da   Fiel na segunda noite do Carnaval 2012   de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi,   na zona norte da cidade, neste domingo.   19/02/2012 - Foto: LÉO PINHEIRO/FUTURA PRESS/AE
SP – CARNAVAL/GAVIÕES DA FIEL – GERAL – A ex primeira-dama Marisa Letícia em desfile da escola de samba Gaviões da Fiel na segunda noite do Carnaval 2012 de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da cidade, neste domingo. 19/02/2012 – Foto: LÉO PINHEIRO/FUTURA PRESS/AE

Segundo o advogado, Bittar “primeiro fez um projeto com uma arquiteta da confiança dele, mas Marisa não gostou. Aí foi feito um segundo projeto por um engenheiro da OAS que a agradou. Ele sempre dizia para o engenheiro da OAS: ‘Me apresenta a conta’. Mas o engenheiro respondia: ‘Não, pode deixar, pode deixar'”.

Procuradores investigam se as empreiteiras Odebrecht e OAS e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram ilegalmente o ex-presidente por meio do pagamento de obras e melhorias para o sítio.

No depoimento, o empresário relatou que Marisa Letícia cuidou da parte dos trabalhos relativos à expansão da casa, que incluiu a construção de um anexo com quatro suítes, e ele foi o responsável pela parcela dos serviços de melhoria de rede elétrica, de segurança e de reforma no lago da propriedade.

Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, o engenheiro da empreiteira Odebrecht Frederico Barbosa afirmou que ele e mais quinze funcionários pagos pela construtora trabalharam na construção desse anexo, e que o então assessor da Presidência Rogério Aurélio Pimentel executava os pagamentos de produtos e de outros trabalhadores em dinheiro vivo.

Bittar negou aos procuradores ser um “laranja” do ex-presidente na aquisição do sítio e disse que tem toda documentação para comprovar que é o legítimo proprietário do imóvel.

OUTRO LADO

A defesa de Lula não respondeu se Marisa Letícia coordenou obras do sítio e nem se o ex-presidente ou algum integrante de sua família arcou com custos na reforma.

O advogado Cristiano Martins afirmou, porém, que “embora o ex-presidente apenas tenha tomado conhecimento do sítio em janeiro de 2011, os seus amigos e familiares podem ter dado algum auxílio na etapa final da reforma”.

Ele criticou os vazamentos da Lava Jato e disse que “as autoridades devem apenas seguir o que determina a lei”.

Compartilhar