Técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e do Salvador Bahia Airport realizaram, no dia 25 de junho, a soltura de 30 gaviões carcará (Caracara plancus) na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Lontra, localizada nos municípios de Entre Rios e Itanagra, litoral norte da Bahia. As aves foram resgatadas pela equipe de gerenciamento de fauna do aeroporto de Salvador em situação de risco para si e para as aeronaves. Pertencente à Bracell, a RPPN Lontra é credenciada pelo Inema para acolher animais silvestres resgatados pelos órgãos ambientais devido ao elevado grau de preservação de sua floresta.

A bióloga Havany Fontana, coordenadora da equipe de gerenciamento de fauna do aeroporto, explica que se trata de um trabalho de redução de ameaças da fauna naquela área. “Capturamos aves que podem colidir com as aeronaves e as transferimos para áreas mais seguras”, diz. Segundo ela, o gavião carcará é uma das espécies propensas a colisões com aviões no aeroporto de Salvador. Mas há ainda corujas, entre outros animais, inclusive terrestres, como tatus, serpentes e quero-queros que também são bastante comuns naquela região e igualmente resgatados em um trabalho que ocorre “de domingo a domingo”.

Em condições normais, o aeroporto de Salvador opera com uma média diária de 215 pousos e decolagens. Como resultado da implantação do plano de gerenciamento de fauna, em 2018, a equipe que atua no local catalogou mais de 200 espécies de aves na região e reduziu em 80% o número de colisões desses animais com aeronaves, preservando a biodiversidade e a segurança da aviação.

O veterinário Vinícius Dantas, coordenador técnico do Zoológico de Salvador, órgão vinculado ao Inema, participou da soltura das aves. Ele explica que os gaviões carcará soltos na Lontra fazem parte de um grupo de 100 aves da espécie resgatadas, recentemente, nas imediações do aeroporto e encaminhadas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do zoológico. Os demais 70 carcarás aguardam definição de um local onde possam ser liberados, já que há poucas unidades cadastradas aptas para acolher animais que necessitam ser reintegrados. “Existe uma grande quantidade de animais que vêm sendo entregues aos cuidados do zoológico, entre jiboias e aves de rapina, que precisam ser soltos na natureza. Mas há uma carência de áreas aptas a acolher estes animais na região”, afirma.

Igor Macedo, especialista em Meio Ambiente da Bracell, diz que, sozinha, a RPPN Lontra não pode receber todos os gaviões devido ao equilíbrio ambiental na reserva. De acordo com ele, um número muito grande de carcarás poderia colocar em risco uma série de espécies de répteis e anfíbios existentes na Lontra, que são presas naturais de aves de rapina deste porte. “A Lontra foi escolhida para a soltura exatamente por conta de seus aspectos de conservação e por abrigar as características ideais para abrigar esta espécie”, acrescenta.

Sobre a Lontra

Com 1.377 hectares, a Lontra é a segunda maior RPPN do litoral norte da Bahia, ficando atrás apenas da Subaumirim Gleba A, com 1.607 hectares, também pertencente à Bracell. Considerada uma das principais áreas de vegetação nativa da região, a Lontra abriga centenas de espécies da fauna e flora silvestres, tendo sido reconhecida em 2019, pela Unesco, como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA).

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