Estava tudo certo para Julianne Trevisol fazer parte do elenco de O Selvagem da Ópera, supersérie escrita por Maria Adelaide Amaral sobre a vida de Carlos Gomes, que a Globo vinha preparando. Entretanto, a emissora decidiu cancelar o projeto e transformá-lo em novela das 18h. Uma semana depois de tomada a decisão, Julianne recebeu um convite.

“Alguns projetos na Globo mudaram, foram adiados ou caíram. A gente está em uma fase de muitas transformações. E aí, na semana seguinte em que a série mudou, recebi o convite da Record e, muito feliz, aceitei”, conta Julianne, que agora vai estrelar o elenco de Gênesis, próxima trama bíblica da emissora.

Para a atriz, a possibilidade de transitar entre canais é saudável. “Acho que nosso mercado está muito bom nesse sentido. Acredito que o fato de estarem diminuindo os contratos longos permite que você esteja em diversos trabalhos. E, na situação atual do país, não é o momento de não trabalhar. O ator tem que estar buscando bons personagens e aproveitando as oportunidades que surgirem”, opina ela.

A atriz tem uma história longa na Record, emissora que lhe deu alguns de seus principais personagens, como na novela Os Mutantes (2008), em que viveu Gór, e em Vidas em Jogos (2011), na qual foi Rita.

“[A Record] Foi uma casa que me deu oportunidade de trabalho, como foi Os Mutantes, e que me marcou muito. Até hoje as pessoas se lembram da Gór. Foi o início da minha carreira na televisão. E, depois, veio a oportunidade da primeira protagonista que fiz na vida, que, no final, virou uma antagonista. Só tenho histórias bacanas na emissora. Quando saí, foi com as portas abertas”, relata ela.

Na Globo, a atriz fez uma participação especial em Bom Sucesso e se destacou na pele da espevitada Lu, em Totalmente Demais (2015).

Agora, Julianne se prepara para seu primeiro trabalho bíblico, no qual será a ambiciosa Nidana. “Tenho ainda pouca informação sobre a personagem. É uma mulher bastante ambiciosa, invejosa, meio alpinista social. Ela é uma vilã, tem uma filha, mas não se importa muito com ela, não tem apego”, conta a atriz, que mudou o visual para estar na novela.

“As últimas personagens que fiz foram muito modernas, e agora é o oposto. Coloquei um cabelão para a caracterização. Eu tenho essa coisa camaleoa, eu realmente mudo muito. Eu compro aquele visual novo, me adapto bem às mudanças, acho que trazem um novo ciclo.”

A carreira artística de Julianne começou nos palcos, mas não como atriz. Ela era dançarina e, inclusive, compôs o corpo de balé do Domingão do Faustão, mas o deixou para se dedicar integralmente à atuação.

Ela revela, no entanto, que a dança teve um papel fundamental em sua vida. “Foi minha base em tudo, meu primeiro contato com a arte. No início, eu achava que ia seguir mesmo o caminho da dança. Eu fazia parte de grupos, competia com a minha academia. Eu tinha compromissos desde sempre, e isso traz muita disciplina, o que, naturalmente, para o trabalho do ator também é muito importante.”

Ela afirma que, na época, “não era tão bem-visto ser bailarina e atriz”. “Agora, o mercado está muito mais pluralizado. Quando eu trabalhava como bailarina, tive que largar para focar minha carreira como atriz e para que eu fosse realmente vista e reconhecida.”

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