O vice-governador da Bahia e presidente do PP no estado, João Leão, aconselhou a sigla a não fazer parte do acordo que partidos do Centrão estão costurando com o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informações que circulam nos bastidores da política em Brasília, o bloco, do qual o PP faz parte, negocia cargos e ministérios com Bolsonaro, em troca de apoio a ele em um eventual processo de impeachment no Câmara dos Deputados.

Na avaliação de Leão, que apontou a “incoerência” dessa aproximação, a aliança pode não acabar bem para os partidos. Ele lembrou os exemplos recentes dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro, que foram aliados do presidente, mas acabaram sendo alijados do núcleo bolsonarista e se tornaram alvo de ataques do próprio chefe do Executivo e dos eleitores dele.

“Espero que o Centrão, se ele (Bolsonaro) tiver interesse, jamais faça esse casamento com Bolsonaro. Ele não deu certo com Mandetta, não deu certo com Moro e com uma série de outros que ele já mandou embora”, disse o vice-governador, em entrevista para o Instagram do A TARDE.

Leão também defendeu que este não é o momento de avançar em processo de impeachment contra Bolsonaro. O discurso vai em alinhamento com o do governador Rui Costa, que afirma que a renúncia seria o melhor caminho devido à demora para conclusão do afastamento de um presidente.

“Eu nunca levantei Impeachment, não. Eu acho que o povo brasileiro errou, o povo errou em ter votado em Bolsonaro. É cada um fazer a nossa parte para que a gente não caminhe para um problema maior”, justificou.

Eleições

O vice-governador defendeu também que haja prorrogação no prazo de realização das eleições municipais deste ano, marcadas para outubro, por causa da pandemia do novo coronavírus. Para ele, a data deveria ser transferida para até o início de dezembro.

“Eu acho que não haverá prorrogação (dos mandatos), mas acho que haverá adiamento da eleição. Acho que vai para 3 de dezembro, nessa faixa. Não sei se é bom, se não é, mas espero que a gente jogue um pouquinho pra frente porque não existe campanha sem dar abraço no povo, um tapinha nas costas, sem essa aproximação das pessoas”, argumentou.

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