Responsável pelo planejamento urbano de Salvador, a Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) pretende abrir consulta pública em seu site para continuar reunindo ideias que contribuam para o desenvolvimento social e econômico da região da Península de Itapagipe, na Cidade Baixa. No início deste mês, a autarquia realizou a primeira de uma série de reuniões para elaboração do Plano Itapagipe, que terá 14 bairros contemplados, e tem o objetivo de incentivar o turismo e levar trabalho para o território.

Neste primeiro encontro, foi feito um levantamento dos problemas e potenciais da área que compreende 6,6 km². O próximo, previsto para o fim de junho ou início de julho, deverão ser discutidas as propostas apresentadas para a região da península. Segundo a presidente da fundação, Tânia Scofield, esse é o intervalo em que ideias ainda são bem-vindas. Serão pelo menos mais dois meses de produção deste plano.

“Se alguém tem uma ideia para aquela região, o momento para integrá-la ao plano é agora. Queremos abrir esse canal ao decorrer do mês para que as pessoas enviem propostas. Isso é muito rico para o plano. Às vezes, a pessoa não pensa naquela hora da reunião, não vem a ideia, mas aparece depois e queremos deixar esse espaço aberto”, explica a presidente.

A ideia do Plano Itapagipe surgiu após a expectativa com a canonização de Irmã Dulce, a primeira santa brasileira. Após a cerimônia, cresceu a peregrinação religiosa aos santuários da região e prefeitura, junto com a comunidade, tem preparado o território para esse fluxo maior de visitantes.

Na última reunião, feita de forma virtual na quarta-feira (3), houve cerca de 40 participantes, entre membros da fundação, líderes comunitários, empresários, pequenos comerciantes e representantes da igreja católica. Para que as próximas reuniões tenham ainda mais participantes, a FMLF está preparando um treinamento para uso das ferramentas digitais.

Com base nos comentários dos participantes no último encontro, a FMLF produziu um documento levantando a estrutura existente entre os bairros, como: potencial para a criação de marinas para esportes aquáticos, parques de preservação marinha, hotéis, demais atrativos turísticos, impulsionamento da economia criativa, e também debilidades como mobilidade e a falta de infraestrutura de bairros pobres da região.

“A pandemia trouxe o descortinamento das desigualdades da cidade. Digo descortinamento porque se, para alguns isso era muito claro, ficou ainda mais claro para uma grande parte que não enxergava a pobreza na cidade de Salvador. A pandemia traz um olhar diferenciado, a gente precisa trabalhar essa economia essencialmente local”, defende Scofield.

A fundação decidiu manter o plano em desenvolvimento porque espera que, assim que for possível um passaporte de volta à normalidade, o é ideal que a região já esteja minimamente preparada para o fluxo. Já estão sendo discutidas a criação e delimitação do Parque Marinho Cavalo Marinho, ideia do professor José Rodrigues, do IF Baiano, e a construção de um hotel com mais de 60 quartos ao lado da Basílica do Bonfim para receber romeiros.

A próxima reunião já será a fase de apresentação de propostas em cima deste diagnóstico feito sobre o que há de disponível na península, onde foram considerados os bairros de Alagados, Boa Viagem, Bonfim, Calçada, Caminho de Areia, Jardim Cruzeiro, Mangueira, Mares, Massaranduba, Mont Serrat, Ribeira, Roma, Santa Luzia e Uruguai.

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