Só serão integrados ônibus com acessibilidade e é necessário que o veículo tenha, no máximo, 8 anos de uso | Foto: Matheus Buranelli 

Por Márcio Walter Machado

Os ônibus do Subsistema do Transporte Especial Complementar (Stec) passam a operar de forma integrada com o metrô e os ônibus da frota regular a partir do próximo dia 20. A integração, especialmente com a iminência do aumento da tarifa na capital, pode ser um alívio no bolso de quem precisava pegar os chamados “amarelinhos”, o metrô e os veículos regulares.

A integração dos amarelinhos ao sistema se dá conforme acordado em reunião entre a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob), o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Associação de Transporte de Salvador (Integra), o Consórcio Transcard e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Sedur) na última quarta-feira.

De acordo com a promotora de justiça Rita Tourinho, no entanto, é necessário que esses ônibus estejam em conformidade com os pré-requisitos definidos pelo termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado no ano passado. Por exemplo, só serão integrados os ônibus com acessibilidade. É necessário também que o equipamento tenha, no máximo, oito anos de uso. “Os veículos que não estiverem adaptados terão um prazo para adequação, mas, enquanto não cumprirem os pré-requisitos, não poderão ser assimilados ao sistema”.

Novos ônibus

Além disso, a promotora pontuou que a Concessionária Salvador Norte (CSN) tem até hoje para apresentar o contrato de compra dos 51 ônibus climatizados para serem colocados em circulação até o mês de maio (leia mais abaixo). “Se não houver a adequação, eles não receberão internamente o aumento tarifário correspondente, que será depositado em conta movimentada com a autorização do município”, concluiu.

Esperando o reforço para integrar o sistema que possui 400 linhas em operação, apesar da circulação dos atuais 225 ônibus com ar-condicionado cobrindo 13 linhas, muitos dos cerca de 1,3 milhão de passageiros que precisam do transporte público coletivo não estão satisfeitos com o aumento da tarifa esperado para breve.

Morando em Alto de Coutos e trabalhando na avenida Vasco da Gama, a babá Bárbara Malta, 27 anos, precisa pegar quatro transportes todos os dias. Eu pego um (ônibus) para vir para a Lapa e daqui pego outro para o trabalho e, na volta, mais dois. O aumento para R$ 4 já afetou demais, esse novo aumento é um absurdo. Se você quer aumentar a tarifa, você tem que dar qualidade, ônibus adequados, respeitando as pessoas que dão duro para pagar o transporte com o salário suado”, indagou.

Outro passageiro descontente é o agente de saúde Ademilson Cerqueira, 55 anos. De acordo com ele, o aumento não faz jus ao serviço oferecido, uma vez que é necessário esperar pelo transporte por um longo tempo, além de por várias vezes os motoristas não pararem no ponto.

“Eu não tenho aumento de salário há seis anos, então, cada vez que aumenta a passagem de ônibus, isso causa um enorme impacto no meu orçamento. Ainda tem a questão dos bancos desconfortáveis e sem segurança. Quando há freadas bruscas, a gente que está sentado sai deslizando para a frente”.

Reclamações

De acordo com a assessoria de comunicação da Integra, queixas contra o sistema devem ser registradas na Central de Atendimento. Quando isso ocorre, é gerado um protocolo e o denunciante pode acompanhar o processo por meio de um telefone.

A concessionária ainda informou que se o problema envolve motorista ou cobrador, estes são chamados para apresentar sua versão e, caso fique comprovado que houve falha, adotará as providências cabíveis.

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