Pode vir do céu a resposta para a cratera de 46 metros de profundidade e 29 de largura misteriosamente aberta na Vila Matarandiba, povoado de Vera Cruz, no dia 13 de junho. A empresa Dow Química, com concessão para extrair o mineral Sal Gema do local desde 1974, contratou o serviço de imagens de satélite para desvendar o momento exato em que o buraco foi aberto. As imagens devem recapitular qualquer movimentação registrada até um ano atrás e catalogar possíveis futuros abalos.

Não há, contudo, prazo para o mistério chegar ao fim. E, até lá, a empresa decidiu também atuar em outras duas frentes: o Instituto de Geomecânica Alemão (IFG) analisará materiais recolhidos na terça-feira (19), para determinar as causas da formação do buraco em até seis meses; e micro-sensores foram instalados para monitorar movimentações horizontais ou verticais ou possibilidade de novas ocorrências.

Desde a abertura da cratera, houve também atualização nas medidas registradas naquele 13 de junho. O cumprimento cresceu de 69 metros para 71,7 metros; a largura saiu dos 29 metros para 29,7 metros; e a profundidade foi reduzida em 0,6 metros, de 46 para 45,40.

A preocupação, agora, é evitar que os moradores do povoado, em média 800, se aproximem da beirada do buraco. Enquanto a largura da abertura na superfície é de 69 metros, no fundo o valor cresce para 100 metros. Ou seja, é possível e natural que haja erosão nos próximos dias. A empresa conta com o apoio do Ibama para isolar um raio de até 300 metros.

O caso
No meio de uma área de mata fechada, uma cratera de mais de 40 metros de profundidade, 69 metros de largura e 29 metros de área da superfície apareceu do nada, deixando todos intrigados.

A empresa identificou a alteração no dia 30 de maio e fez uma proteção com fita plástica e cartazes para tentar evitar que os moradores se aproximem. Um segurança também fica no local explicando à população do risco de queda.

O problema é que a cratera, que fica a cerca de um quilômetro do povoado, tem se tornado um ponto de visitação dos moradores. Famílias se arriscam e vão até o buraco para ver o fenômeno, como se estivessem num passeio qualquer de fim de semana.

O povoado é habitado em sua maioria por marisqueiros, pescadores e caçadores – a maioria, gente de pouca condição financeira e pouca instrução formal.

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