Por Ricardo Bomfim – Infomoney

O Ibovespa Futuro abre entre perdas e ganhos nesta segunda-feira (17) com tentativa de correção ofuscada pelo aumento nas preocupações em torno do ajuste fiscal no fim de semana. Segue no radar a queda de braço entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e ministros que querem flexibilizar a regra do teto de gastos. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado de Guedes um controle menos rígido dos gastos públicos.

Também no fim de semana, as notícias não foram boas no campo internacional, uma vez que as reuniões entre representantes da China e dos Estados Unidos para lidar com a crise do TikTok e outros apps chineses foram adiadas. Isso mostra que o quão acirrados estão os ânimos nessa relação bilateral.

O avanço de casos da Covid em alguns países da Europa, levando a restrições de viagens, também está no radar dos investidores, que avaliam o impacto dessas medidas na retomada da economia.

Às 09h15 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para outubro registrava leve queda de 0,12%, aos 101.475 pontos. Enquanto isso, o dólar futuro para setembro tinha perdas de 0,15%, a R$ 5,418.

Enquanto isso, o dólar comercial cai 0,23% a R$ 5,414 na compra e a R$ 5,415 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 opera com perdas de um ponto-base, a 2,78%, o DI para janeiro de 2023 perde dois ponto, a 3,98% e o DI para janeiro de 2025 opera estável a 5,79%.

Entre os indicadores, os economistas revisaram suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 de uma queda de 5,62% para uma levemente menor, de 5,52%, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. Já para 2021 a expectativa mediana se manteve em crescimento de 3,5% da economia brasileira.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as estimativas foram elevadas de 1,63% em 2020 para 1,67%. Para 2021 a expectativa continuou em 3,00%.

As projeções para o dólar não se alteraram e ficaram em R$ 5,20 até o final de 2020 e em R$ 5,00 para 2021.

Por fim, as expectativas para a taxa básica de juros, Selic, ficaram estáveis em 2,00% ao ano para 2020, mas foram cortadas de 3,00% para 2,75% para 2021.

Questão fiscal
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem cobrado do ministro Paulo Guedes (Economia) postura menos resistente ao aumento de gastos públicos e dessa forma garantir recursos para obras públicas e benefícios sociais, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

Segundo a reportagem, o presidente teria se queixado a interlocutores que o ministro precisa ser menos inflexível e intransigente em relação aos recursos orçamentários, cobrando que a política econômica deve estar em sintonia com o projeto de governo.

A discussão gira em torno do respeito ao teto de gastos, regra que limita o aumento das despesas à inflação do ano anterior. Uma alta do governo quer incluir obras públicas no chamado “Orçamento de Guerra”. Esse orçamento foi criado com recursos extraordinários para garantir ações de combate à Covid-19.

Ainda no front político, uma pesquisa divulgada pelo Datafolha neste final de semana mostrou que 47% dos brasileiros entrevistados acreditam que Jair Bolsonaro não tem qualquer culpa pelas mortes causadas pela pandemia.

Orçamento de 2021
O Orçamento do ministério da Defesa deve superar em R$ 5,8 bilhões o da Educação, segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”. A divisão de recursos faz parte da proposta de lei orçamentária que o Ministério da Economia precisa encaminhar ao Congresso até o final do mês.

Segundo a reportagem, a previsão de orçamento para o Ministério da Defesa é de um aumento de 48,8% em relação ao orçamento deste ano, chegando a R$ 108,56 bilhões em 2021. A verba da Educação deve cair de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões.

Os valores consideram todos os gastos das duas pastas, desde o pagamento de salários, compra de equipamentos e projetos em andamento.

Radar corporativo

E no final da temporada de balanços, a companhia de energia Cemig registrou lucro líquido de R$ 1,04 bilhão no segundo trimestre do ano, recuo de 50% na comparação com igual período do ano passado.

Já a construtora EZtec Empreendimentos e Participações informou que pediu registro para oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de seu braço de imóveis comerciais, a EZ Inc Incorporações Comerciais.

Segundo fato relevante, a assembleia de acionistas aprovou a oferta e também a adesão da EZ Inc ao Novo Mercado da B3.

Na sexta-feira à noite, o Banco do Brasil informou que começou os procedimentos para confirmar a eleição de André Guilherme Brandão para o cargo de presidente da companhia.

Os trâmites começarão após comunicação do Ministério da Economia, afirmou o banco em fato relevante, indicando que o governo federal, acionista controlador, indicou o executivo para a posição.

A escolha acontece três semanas após o atual presidente do banco, Rubem Novaes ter anunciado que iria deixar o cargo.

E a elétrica paulista Cesp aprovou a emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures com vencimento em dez anos. Os papéis terão remuneração de IPCA mais 4,3% ao ano.

A operação, com esforços restritos de distribuição, visa levantar recursos para pagamento parcial de debêntures emitidas anteriormente e que foram destinadas ao pagamento da outorga da renovação da concessão da hidrelétrica Porto Primavera.

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