Por Rodrigo Tolotti – Infomoney

O Ibovespa registra forte queda nesta quinta-feira (20) puxado pelo exterior após o tom pessimista adotado pelo Federal Reserve (Fed, o bc americano) sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos.

Além disso, por aqui pesa a preocupação com a derrubada, pelo Senado, do veto presidencial que impedia reajustes de salários dos servidores públicos até o final do ano que vem.

Agora a equipe econômica trabalha para reverter essa medida na Câmara dos Deputados. A decisão será analisada na Câmara hoje, a partir das 15h, e o líder do governo confia em manutenção do veto.

Às 10h15 (horário de Brasília) o benchmark da bolsa tinha queda de 1,50%, aos 99.337 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial tinha alta de 2,01%, cotado a R$ 5,6403 na compra e R$ 5,6415 na venda. Já o dólar futuro para setembro sobe 1,56%, a R$ 5,647.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe sete pontos-base, a 2,87%, o DI para janeiro de 2023 avança nove pontos, a 4,14% e o DI para janeiro de 2025 tem ganhos de 14 pontos-base, para 6,06%.

No exterior, os índices futuros dos EUA registram queda diante do tom pessimista do Fed. Na terça-feira, o bc americano divulgou a ata de sua última reunião e mostrou que a recuperação da crise causada pela pandemia da Covid-19 é “altamente incerta”.

“Ainda há uma grande incerteza em torno da trajetória do coronavírus e o que isso pode significar para o crescimento econômico”, disse, à Bloomberg, Jim McDonald, estrategista-chefe da Northern Trust.

Com essa sinalização de recuperação mais difícil, cresce a expectativa para que democratas e republicanos cheguem a um acordo sobre um novo pacote de estímulo a economia.

E os conflitos geopolíticos são outra fonte de preocupação. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, alertou que Rússia e China não violem às sanções impostas ao Irã.

Soma-se ao cenário de maior aversão ao risco o avanço do novo coronavírus em várias partes do mundo, em particular na Coreia do Sul, e a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) decidir manter inalteradas suas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos pelo quarto mês seguido, em 3,85% e 4,65%, respectivamente.

Agenda

No Brasil, a agenda de indicadores tem como destaque os dados de arrecadação de julho. A arrecadação de impostos no mês de julho deve ter alcançado R$ 112 bilhões, segundo estimativa mediana em pesquisa Bloomberg, acima dos R$ 86,3 bilhões registrados na medição anterior, mas ainda abaixo dos R$ 137,7 bilhões registrados em julho de 2019. A Receita Federal divulga o indicador às 14h30 em seu website e comenta o desempenho em coletiva de imprensa virtual às 15h.

Já os Estados Unidos registraram 1,106 milhão de pedidos de seguro-desemprego na semana passada, mostrou nesta quinta-feira (20) o Departamento de Trabalho do país.

O número veio acima da mediana das expectativas dos economistas compilada no consesnso Bloomberg, que apontava para 920 mil requisições do benefício no período.

No dado anterior, o número de norte-americanos que solicitaram auxílio-desemprego ficou abaixo de 1 milhão pela primeira vez desde meados de março, quando teve início a escalada dos pedidos, para 963 mil.

Às 14h, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, faz pronunciamento.

Reajuste de servidores

O Senado Federal derrubou o veto presidencial que congelava os salários dos servidores públicos até o final de 2021. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta negociar com a Câmara para que o veto seja mantido.

Por meio da assessoria de imprensa, o ministério da Economia afirmou que está preocupado com a possível derrubada do veto e com as possíveis consequências para as contas públicas, em especial de estados e municípios.

Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, sem o veto, as despesas da União, estados e municípios poderão aumentar R$ 98 bilhões.

O veto foi negociado ainda no primeiro semestre com o Congresso. O governo garantiria um pacote de R$ 120 bilhões de socorro financeiro a estados e municípios em troca do congelamento dos salários. No entanto, o então líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO), aproveitou apoio do presidente Jair Bolsonaro para negociar uma brecha para garantir reajuste para algumas categorias.

Essa brecha, no entanto, foi vetada por Bolsonaro após intervenção de Guedes.

Auxílio emergencial 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou nesta quarta-feira a extensão do auxílio emergencial, mas a um valor menor do que os R$ 600 atualmente pagos. Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, disse que havia uma confiança mútua entre ambos.

Segundo a agência Reuters, o governo estuda uma medida provisória (MP) que manteria o auxílio para além de agosto, mas em um valor menor. Se o atual decreto for prorrogado, o benefício não pode sofrer alteração de valor.

Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou que estava em busca de um novo valor pelo auxílio, sinalizando que R$ 200, valor defendido pelo governo no início da pandemia do coronavírus, seriam insuficientes, mas que a manutenção em R$ 600 era inviável.

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