O Ibovespa segue o clima de aversão ao risco do exterior e recua nesta terça-feira (18). Pesa no humor o alerta feito pela Apple sobre as consequências econômicas do coronavírus, apontando para impactos em sua produção.

Às 10h09 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa registrava perdas de 0,98%, aos 114.177 pontos, enquanto o dólar comercial subia 0,30%, cotado a R$ 4,3406 na compra e R$ 4,3424 na venda. O dólar futuro com vencimento em março, por sua vez, tinha ganhos de 0,42%, para R$ 4,348.

Já os contratos de juros futuros registram ganhos. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 registra alta de um ponto-base, a 4,22%, enquanto o de vencimento em janeiro de 2023 avança quatro pontos-base, a 5,30%, seguido pela alta de quatro pontos-base do vencimento em janeiro de 2025, a 6,00%.

Ontem, a Apple alertou que não vai conseguir cumprir seu guidance de receita para o trimestre até março, devido aos efeitos do fechamento das plantas na sua cadeia de fornecedores na China por conta do vírus.

A empresa de tecnologia afirmou que, mesmo com as instalações para produção no país terem sido reabertas, elas estão retomando as atividades em um ritmo mais lento que o esperado. Por isso, o fornecimento mundial de peças para iPhones será afetado.

Isso trouxe maior aversão ao risco para o mercado por sinalizar que os efeitos do coronavírus para a produção das empresas estão sendo maiores do que esperado. Por outro lado, vale destacar que o número de novas infecções registradas em um único dia na China permaneceu abaixo de 2 mil pela primeira vez desde 30 de janeiro.

Contudo, na China continental, os mercados subiram após Pequim anunciar que poderá conceder isenção tarifária a mais produtos dos EUA e ainda na esteira de recentes estímulos monetários. Além disso, o banco central chinês (PBoC) cortou ontem o juro de empréstimos de um ano e pode reduzir seus juros de referência ainda nesta semana, como parte de esforços para amenizar o impacto do coronavírus.

Com isso, no mercado de commodities, o petróleo WTI cai abaixo de US$ 52 após quatro altas seguidas; metais recuem em Londres; minério de ferro fechou estável na China depois que a Rio Tinto reduziu seu guidance de produção para o ano.

Ainda no exterior, o bancos HSBC anunciou cortes de até 35.000 empregados e uma drástica reorganização em regiões que estão com uma performance aquém do esperado, principalmente EUA e Europa. Segundo a equipe da XP, apesar de não haver nenhum impacto direto no Brasil, a notícia demonstra os desafios crescentes no mundo para o setor bancário. Os papéis do banco registram queda de 5%

Indicadores econômicos

A FGV publicou na manhã de hoje o IPC-S da segunda semana de fevereiro, nas capitais brasileiras, e também o IGP-M relativo ao segundo decêndio de fevereiro. O IGP-M ficou estável na segunda prévia de fevereiro, ante estimativa de queda de 0,09%.

A Fipe publica hoje o IPC relativo à cidade de São Paulo na segunda quadrissemana de fevereiro.

Política

Para acelerar a venda de estatais, o Ministério da Economia avalia o uso de um “fast-track” (via rápida) por decreto, informa matéria do jornal O Globo. Seria uma inovação em tempos de democracia, a partir de 1985 poucos presidentes fizeram uso de decreto-Lei. Para a equipe econômica, a Lei do programa Nacional de desestatização (PND) já autoriza as privatizações e prevê exceções, o que seria o caso do Banco do Brasil, cuja venda teria que passar pelo Congresso.

Greve de petroleiros

Em sua segunda semana, a greve dos petroleiros começou a atrair apoio dos caminhoneiros e de alguns partidos de oposição, informa matéria do jornal Folha de S. Paulo. A adesão já passa de 21 mil trabalhadores e afeta 22 unidades da Petrobras, segundo a FUP – Federação Única dos Petroleiros. O ministro do TST, Ives Gandra, declarou a greve ilegal e fixou multa de R$ 500 em caso de descumprimento da ordem judicial.

Vale destacar que o TST atendeu a Petrobras e declara ilegalidade em greve de trabalhadores; a estatal pediu a volta de empregados após greve ser julgada ilegal. Contudo, os petroleiros mantiveram greve e vão recorrer de decisão do TST.

Noticiário corporativo

O Bradesco (BBDC3 e BBDC4) comunicou na noite de ontem que pagará R$ 490,9 milhões em dividendos complementares de 2019 aos acionistas.

O pagamento ocorrerá no dia 28 deste mês. Itaúsa (ITSA4), CESP (CESP6) e Multiplan (MULT3) publicaram balanços na noite de ontem. Na Usiminas (USIM5), os controladores querem manter Sergio Andrade como CEO.

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