Hotel não é mais um lugar apenas para dormir — ou para acordar no outro dia direto para a mesa de café da manhã (que, em muitos casos, já não contam mais com serviço de buffet).

Nos últimos anos, grandes redes e estabelecimentos independentes já vinham buscando formas de diversificar suas atividades. Os hotéis passaram a ser locais de “estar” e não apenas de “hospedar”.

Com projetos cada vez mais democráticos, começaram a integrar cafeterias, restaurantes, spas e serviços “all day” (como piscina) para atender também aqueles que não estão em busca de uma noite de sono.

Mas a pandemia fez acelerar ainda mais essa renovação do setor de hospitalidade. Com menos hóspedes, marcas apostam na variedade de ofertas para atrair clientes. De quartos que se tornaram escritórios a galerias para receber obras de artistas locais, passando por espaços de cafeterias abertas para a rua, a palavra de ordem é diversificação.

Casa com cara de hotel

No Rio de Janeiro, o Grupo Arpoador, dos hotéis Arpoador e Ipanema Inn, criou um e-commerce para vender produtos usados no hotel.

Batizado de City & Sea Shop, a plataforma comercializa desde objetos do mobiliário e decoração até peças de artesãos do Brasil todo que estão disponíveis para os hóspedes.

Kit de frescobol do Grupo Arpoador - Divulgação - Divulgação

Kit de frescobol do Grupo Arpoador

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Bambu box, do Grupo Arpoador - Divulgação - Divulgação

Bambu box, do Grupo Arpoador

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Entre caixas de som bambu de reflorestamento, toalhas e guardanapos feitas em tear manual, linha de cerâmicas modeladas à mão e kits de frescobol, o grupo também oferece experiências, como degustações gastronômicas ou de coquetelaria, que podem ser utilizadas até dezembro de 2021.

Nada de home, mas room-office

Quartos do Wythe Hotel viraram escritórios - Divulgação - Divulgação

Quartos do Wythe Hotel viraram escritórios

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Em Nova York, o lendário Wythe Hotel estabeleceu uma parceria com a empresa de aluguel de espaços corporativos Industrious para destinar quartos para escritórios neste verão.

Em estúdios para duas, três ou quatro pessoas, o hotel instalado em um edifício fabril de 117 anos, em Williamsburg, oferece mesas de trabalho, assinatura digital do “The New York Times”, internet rápida, além de TV e a possibilidade de levar seu pet para o trabalho.

Em São Paulo, o Guest Urban também adaptou alguns quartos para room-offices, como chamam seus escritórios temporários com 13 metros quadrados, que contam com serviços como higienização com UV, kit ergonomia e máquina de café.

Room-office da Guest Urban, em São Paulo - Divulgação - Divulgação

Room-office da Guest Urban, em São Paulo

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“Os hotéis precisarão ser cada vez mais versáteis e adaptar seus serviços para receber clientes em busca de espaços multifuncionais, onde podem descansar e trabalhar ao mesmo tempo”, afirma Charles Piriou, consultor especializado em hospitalidade.

Segundo ele, o escritório móvel já era uma tendência e será mais acentuada agora.

Foco em bem-estar e saúde ganharão destaque nos hotéis também, já que as pessoas buscam um grande respiro dos centros urbanos agitados”, complementa.

Arte e convivência

Seguindo essa tendência, o The Art Gate, em Lisboa, deve intensificar ainda mais suas programações além das hospedagens que oferece a turistas.

Concebido como um espaço que mescla arte, gastronomia e hospitalidade instalado um antigo edifício no Largo da Trindade, o TAG não se posiciona como um hotel, embora conte com cinco quartos a visitantes.

“Queremos ser um ambiente onde as pessoas possam vir independente de estarem hospedados” explica Diogo Figueira, um dos sócios. “A galeria é totalmente aberta ao público, democrática, inclusive dando espaço a artistas emergentes”.

Uma das cinco suítes do The Art Gate - Divulgação - Divulgação

Uma das cinco suítes do The Art Gate

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A galeria do The Art Gate, em Lisboa - Divulgação - Divulgação

A galeria do The Art Gate, em Lisboa

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Com apenas uma mesa coletiva, o restaurante também pode ser reservado por visitantes. “Nossa ideia é que as pessoas possam dividir as refeições e se conhecerem”, diz — embora no momento os 12 lugares estejam reduzidos por conta da pandemia.

Outro detalhe importante do projeto é que as obras estão espalhadas por todos os espaços, inclusive nos quartos, dando a chance dos hóspedes passarem mais tempo com pinturas e esculturas de artistas como o grafiteiro português Vhils.

“A arte é algo presente em todas as partes, e uma aposta importante para nós, que deve crescer mais com o tempo.

Quisemos criar um espaço aberto à cidade, que as pessoas sintam-se realmente à vontade, não em um hotel de rede”, completa Figueira.

Motorhome assinado

Há outras marcas que estão indo além para oferecer experiências a seus clientes nesses tempos de distanciamento social. O COQ Hotel, em Paris, desenvolveu uma parceria com a Volkswagen para converter dois de seus quartos em suítes itinerantes sobre rodas.

A ideia é que as pessoas possam se hospedar a bordo de dois motorhomes adaptados a partir de Kombis como uma casa de família e sair de Paris em busca de novas aventuras.

O motorhome cheio de luxo do COQ Hotel, em Paris - Divulgação - Divulgação

O motorhome cheio de luxo do COQ Hotel, em Paris

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Alguns dos mimos do motorhome do COQ Hotel, em Paris - Divulgação - Divulgação

Alguns dos mimos do motorhome do COQ Hotel, em Paris

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Este é o primeiro modelo da marca alemã equipado com chuveiro, vaso sanitário, cozinha e quatro camas de verdade. Com a parceria com o COQ, os veículos ainda dispõem de iPad, projetor, coquetéis, refeições pré-cozidas, tapete de ioga, seleção de chá e outros mimos.

O hotel também criou rotas temáticas para seus hóspedes aventureiros, de visitas a vinícolas a um dia de golfe, tudo organizado pelos concierges.

Após um lockdown sem precedentes e restrições de viagem ainda em andamento, pegar a estrada se tornou a única maneira confiável de se reconectar com os horizontes distantes”, diz o comunicado do hotel.

No caso do COQ, é também uma chance inédita e bem propícia de atrair seus hóspedes de volta.

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