Uma pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas de 2017 (Vigitel) do Ministério da Saúde apontou que 26% da população de Salvador tem diagnóstico médico de hipertensão arterial. Entre as pessoas da capital, a doença atinge 28,7% de mulheres, enquanto 22,6% são homens.

A hipertensão arterial é uma doença crônica determinada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela faz com que o coração tenha de exercer um esforço maior do que o normal para o sangue ser distribuído corretamente no corpo.

Infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal são os principais problemas causados pela doença assintomática. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, 32,5% dos brasileiros adultos sofrem com a famosa “pressão alta”. Este índice dobra na população com mais de 60 anos de idade.

Segundo o cardiologista Luiz Bortolotto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, toda pessoa com mais de 18 anos deve aferir a pressão arterial pelo menos uma vez por ano. “É importante conhecer seu índice de pressão arterial. Além disso, a aferição é fundamental para prevenir a hipertensão”, afirma o especialista.

O perigo é que o processo acontece de forma silenciosa e as pessoas mais desatentas com a saúde acabam descobrindo o problema quando o caso já está mais avançado. “Dados recentes mostram que mais de 10 milhões de vidas, a cada ano, são perdidas sem necessidade por conta da pressão alta e apenas metade das pessoas hipertensas sabe que possui a doença”, alerta Davi Liu, clínico-geral da Cia. da Consulta.

O cérebro é um dos órgãos que podem ser afetados, pois ele necessita de um fluxo sanguíneo contínuo para exercer suas atividades no organismo. “Sem essa circulação sanguínea e com a falta de oxigenação, o órgão pode perder progressivamente as capacidades e funções, podendo chegar a um estado de demência. Nesse estágio, o paciente passa a apresentar problemas de cognição, memória e concentração”, alerta a coordenadora do serviço de arritmia, eletrofisiologia e estimulação cardíaca da Rede D’Or São Luiz, a médica Olga Souza.

A hipertensão arterial também está relacionada à ocorrência de uma arritmia cardíaca, conhecida como fibrilação atrial, que acarreta a formação de coágulos no coração e pode causar o AVC.

Dieta rica em gorduras, estresse, cigarro, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de sal são elementos que podem contribuir para a pressão alta. Além dos hábitos ruins, existem fatores que propiciam o surgimento da hipertensão, como histórico familiar.

Tratamento

Apesar de graves consequências, é possível conviver com a hipertensão arterial de forma segura. Hábitos mais saudáveis e, se necessário, uso de medicamentos são aliados no tratamento, que deve ser seguido para o resto da vida.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde e pelo programa Farmácia Popular. Para retirar os remédios, é preciso apresentar um documento de identidade com foto, CPF e receita médica dentro do prazo de validade, de até 120 dias.

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