Por Bárbara Ligero

A localização isolada no meio do Pacífico não foi suficiente para proteger o Havaí da pandemia. O arquipélago, que recebe cerca de 9 milhões de visitantes a cada ano, se viu obrigado a exigir que os turistas cumprissem uma quarentena de 14 dias antes de poder circular pelas ilhas.

A medida foi eficaz em conter a disseminação do coronavírus, mas afastou possíveis visitantes e impactou fortemente a economia local, que é bastante dependente do turismo. Para resolver o dilema, o Havaí pretende liberar a entrada dos turistas que trouxerem um teste da covid-19, realizado 72 horas antes do embarque, com resultado negativo.

Esse programa de testagem deveria ter começado em 1º de agosto, mas foi adiado para setembro e depois novamente para 1º de outubro devido ao aumento no número de casos de coronavírus nos Estados Unidos.

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Vista aérea da praia de Waikiki, cuja costa é tomada por hotéis e resorts de alto nível

Imagem: Getty Images

Porém, há quem acredite que o turismo do arquipélago não pode esperar tanto assim — e que a solução seria tornar o isolamento de duas semanas o mais agradável possível para os visitantes.

Liberdade, mas vigiada

Alternativamente, o plano que está sendo elaborado pelas ilhas de Maui, Kauai e Havaí, a maior do arquipélago, consiste em permitir que os turistas se hospedem em resorts e circulem livremente dentro de uma determinada área da propriedade.

Em entrevista ao jornal local West Hawaii Today, o diretor administrativo do condado do Havaí, Roy Takemoto, explicou que os resorts seriam os responsáveis por controlar onde os hóspedes teriam permissão de circular. Demais detalhes do conceito, que está sendo chamado de “resorts-bolha”, estão sob análise.

As autoridades locais ainda precisam estudar como os resorts dedicariam parte de seus domínios exclusivamente aos hóspedes em quarentena, isolando-os dos demais, e como eles gerenciariam suas áreas comuns, incluindo piscinas, quadras e restaurantes.

Além disso, o sucesso do projeto dependeria da adesão dos próprios turistas, que teriam que estar dispostos a ser monitorados dessa maneira em troca de duas semanas de descanso em um resort no Havaí.

Porém, se forem colocados em prática, os “resorts-bolha” proporcionariam uma reabertura gradual do turismo e, mais importante, colocariam o setor de volta ao trabalho.

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