As inspirações são dois expoentes do MMA: Rashad Evans e Ronaldo Jacaré. No currículo, além dos treinos com a dupla, há também camp com Vitor Belfort e Lyoto Machida. É com essa bagagem que o peso-médio Gregory “Robocop” Rodrigues entra no octógono, nesta terça-feira, pelo Contender Series, em Las Vegas (EUA), diante de Jordan Williams, de olho na assinatura de contrato com o UFC.

Natural de Manaus, Gregory Rodrigues foi forjado na mesma academia que criou Ronaldo Jacaré, na capital amazonense, sob o comando do mestre Henrique Machado. Aos 28 anos de idade, “Robocop”, também tem o jiu-jítsu como ponto forte e, anos mais tarde, viria a se tornar um dos principais sparrings do lutador do UFC, na época da academia X-Gym, no Rio de Janeiro. É por isso que tem “Jaca” como referência.

– Eu tinha oito anos quando entrei na academia do sensei Henrique, em 2002. O Jacaré tinha pego a faixa-marrom, só dava ele e Roger Gracie nas competições. O Jaca era um ícone na academia. Hoje em dia é meu irmão, meu padrinho de casamento. Eu sempre o admirei bastante, ele foi o responsável pela minha evolução. Passamos pela mesma transição do jiu-jítsu para o MMA, ele traçou o caminho, me ensinou bastante, me ajudou muito. Eu falava: “Preciso encontrar um meio de apanhar menos dele (risos)”. Fui um privilegiado. Ele é uma inspiração para mim – contou o faixa-preta de jiu-jítsu, que ganhou o apelido do treinador Josuel Distak devido ao seu estilo “todo duro”, em entrevista ao Combate.com.

Gregory Robocop (ajoelhado à direita) tinha nove anos, e fazia aula na mesma equipe de Ronaldo Jacaré — Foto: Arquivo Pessoal

Gregory Robocop (ajoelhado à direita) tinha nove anos, e fazia aula na mesma equipe de Ronaldo Jacaré — Foto: Arquivo Pessoal

Embora tenha Manaus como criadouro, Gregory passou por outras academias ao longo da carreira no MMA, iniciada quatro anos atrás. Em 2016, na Flórida (EUA), reforçou os treinamentos de Vitor Belfort, que se preparava para encarar Gegard Mousasi. Conheceu, então, Rashad Evans, ex-campeão do Ultimate, nos tatames. Nasceu, ali, uma amizade que perdura até hoje, mesmo após “Suga” se aposentar do MMA, em 2018.

– O Rashad é meu irmão, eu amo esse cara. Quando me mudei para o Rio, estava apertado, e ele me mandava dinheiro. Quem conseguiu a minha primeira luta nos Estados Unidos foi ele, em um evento do Roy Jones Jr. – relembra, com gratidão.

Gregory Robocop e Rashad Evans são amigos desde 2016 — Foto: Arquivo Pessoal

Gregory Robocop e Rashad Evans são amigos desde 2016 — Foto: Arquivo Pessoal

Apaixonado pelo esporte, Gregory Rodrigues conta que seu futuro profissional não poderia ser em outra seara. Estimulado desde criança pelo pai, Pedro Rodrigues, a praticar artes marciais, fez questão de trazer pai para assistir à sua terceira luta no MMA. Uma cirrose hepática, no entanto, interrompeu um sonho que estava tão próximo de ser concretizado.

– Eu assistia aos eventos do Pride com o meu pai, que era mestre de capoeira. Na minha terceira luta de MMA, eu queria que ele me assistisse pela primeira vez. Minha mãe, que estava em Manaus, chegou duas semanas antes no Rio. Em uma terça-feira de manhã, um amigo bateu na porta e me trouxe o telefone… era a minha namorada, Jéssica. Ela falou: “O seu pai acabou de falecer”. Como assim, cara? Minha mãe acordou gritando, desesperada. Foi uma loucura! Ele tinha cirrose hepática, mas nunca bebeu, nem usou drogas. Ele trabalhou no garimpo.

– Fui para Manaus enterrar meu pai sem entender o que estava acontecendo. Foram os piores dias da minha vida. Fiquei uma semana lá, voltei ao Rio na semana da luta. Eu perdi na decisão dos jurados. Essa luta foi um divisor de águas. Eu sempre me perguntava se eu estava vivendo meu sonho ou o do meu pai. Ele não só entregou o meu sonho, como deu a vida para que se tornasse realidade. Eu não luto pelo meu pai, luto com o meu pai, porque ele está em mim.

Gregory Robocop com o pai, Pedro Rodrigues, que faleceu em 2015 — Foto: Arquivo Pessoal

Gregory Robocop com o pai, Pedro Rodrigues, que faleceu em 2015 — Foto: Arquivo Pessoal

De 2015 a 2020, Gregory “Robocop” consolidou sua carreira – soma sete vitórias e duas derrotas. Em 2018, saiu do Brasil para morar em Torrance, na Califórnia, com a, agora esposa, Jéssica Rodrigues. A pandemia do novo coronavírus prometia decretar um ano ruim oara o atleta da Black House, entretanto, a oportunidade de lutar no Contender Series pode torná-lo o melhor de sua vida. Para isso acontecer, basta vencer Jordan Williams – que já participou de outras duas edições -, e impressionar Dana White, presidente do UFC.

– Estar aqui já é uma experiência absurda, porque o tratamento dos atletas é o melhor possível. Estou muito feliz. O Contender é um passo importante na minha trajetória. É um evento que você entra no UFC conhecido, principalmente, pelo Dana White. Não entra para tapar buraco, você ganha a vaga. É um grande show. Eu sempre vou para nocautear ou finalizar. Estou pronto para matar esse cara, é meu único pensamento na cabeça. Vou fazê-lo desistir. É clima de guerra. Estou em uma missão e vim da Califórnia para Las Vegas para sair daqui com a vitória e o contrato. A festa é minha, ele é mero convidado. Vou espancá-lo e, quando eu colocar a mão nele, ele irá cair. Terei de passar por cima de quem estiver na minha frente. O meu objetivo é ser lutador do UFC, estou perto disso e vai acontecer.

Gregory Robocop tem sua grande chance de entrar no UFC  — Foto: Arquivo Pessoal

Gregory Robocop tem sua grande chance de entrar no UFC — Foto: Arquivo Pessoal

Contender Series
15 de setembro de 2020, em Las Vegas (EUA)
CARD COMPLETO:
Peso-médio: Gregory Rodrigues x Jordan Williams
Peso-pena: Muhammadjon Naimov x Collin Anglin
Peso-meio-médio: Korey Kuppe x Michael Lombardo
Peso-galo: Danyelle Wolf x Taneisha Tennant
Peso-pena: Kyle Driscoll x Dinis Paiva

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