O Sindicato dos Bancários da Bahia realizou um protesto na manhã desta sexta-feira (29) na sede do Banco do Brasil, no Comércio, em Salvador (BA). Funcionários do banco também cruzaram os braços hoje, em todo o país. O motivo da manifestação são os cortes na empresa propostos pelo Ministério da Economia.

De acordo com o sindicato, o governo federal irá realizar a demissão de 5 mil funcionários do banco até o início de fevereiro, além da desativação de 361 unidades, sendo 112 agências e 242 postos de atendimento. O grupo também relata um ataque ao direito dos trabalhadores, já que estes estariam sendo removidos dos seus postos com comissões reduzidas.

“Querem cortar o salário de 10 mil trabalhadores do banco. O desmonte do Banco do Brasil não interessa à sociedade. Trata-se de uma empresa rentável, eficiente, e parte dos seus lucros retorna para o Tesouro Nacional, ajudando o orçamento da União e contribuindo para diversas áreas”, afirma Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Bancários e vereador de Salvador.

O Sindicato também acusa o ministro da Economia, Paulo Guedes, de querer fatiar e vender áreas estratégicas do banco, como a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. De acordo com Augusto, ela seria uma empresa com “lucro fantástico” e que repassa boa parte deles para a união, e mesmo assim será entregue aos “interesses privados” nacionais e internacionais.

“Fizemos em Salvador uma grande manifestação, e grandes atos nas principais cidades do estado. Essa manifestação foi aprovada em assembleia para todo o Brasil, e continuaremos pressionando a diretoria do Banco e o governo federal para que voltem atrás com essa decisão”, finalizou.

Na semana passada (21), um outro protesto foi realizado na capital baiana contra os cortes, dessa vez na agência do banco do Shopping da Bahia. A manifestação fez parte do Dia Nacional de Luta contra o Desmonte do BB, e contou com mobilização nas redes sociais, abaixo-assinado, reuniões com os funcionários nos locais de trabalho, colagens e panfletagens.

Reestruturação
O Banco do Brasil informou ao mercado no dia 11 de janeiro que aprovou um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além da criação de um Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e de um Programa de Desligamento Extraordinário (PDE). O banco diz que a implementação plena das medidas deve ocorrer durante o primeiro semestre deste ano.

O plano de reorganização prevê ganhos de eficiência e otimização em 870 pontos de atendimento do País, com a desativação de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), a conversão de 243 agências em postos de atendimento e oito postos de atendimento em agências, transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem guichês de caixa, relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios e criação de 28 unidades de negócios (14 agências especializadas agro e 14 escritórios leve digital).

A proposta desagradou o presidente Jair Bolsonaro, que queria demitir o presidente do banco, André Brandão, menos de quatro meses após a sua posse. Embora a reestruturação do banco tenha agradado investidores e tenha sido considerada positiva pela equipe econômica para um reposicionamento do banco com enfoque no digital, o anúncio foi considerado inoportuno neste momento em que o Palácio do Planalto negocia apoio para os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

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