A madrugada deste sábado (23) foi de muitos raios e trovões em Salvador. Leitores aproveitaram o momento para registrar os fenômenos no céu.

Segundo a Codesal, a região da cidade onde mais choveu foi Ondina, com 116 mm. Foram registradas 32 ocorrências até as 9h30. Dessas, foram dois alagamentos de área, 14 alagamentos de imóveis, 3 ameaça de desabamento, 2 ameaças de deslizamento, uma árvore caída, uma avaliação de imóvel alagado, quatro desabamentos de muro, dois desabamentos parciais e três deslizamentos de terra. Não há registros de feridos. A Codesal lembra que permanece em plantão 24 horas e pode ser acionada a qualquer instante pelo telefone 199.

Veja abaixo fotos enviadas pelos leitores

Na Orla de Salvador, Ricardo Andrade registrou o momento em um raio cai na região do Jardim de Alah:

Mitos e verdades sobre raios e trovões 
Os raios e os trovões aparecem com constância nos mitos das civilizações do passado. Profetas, sábios, escribas e feiticeiros os interpretavam como manifestações divinas, considerados principalmente como reação de ira contra as atitudes dos homens.

Nas mãos de heróis mitológicos e de divindades eram utilizados como lanças, martelos, bumerangues, flechas ou setas para castigar e perseguir os homens pecadores.

Bumerangue
Há mais de cinco mil anos, os babilônicos acreditavam que o deus Adad carregava um bumerangue em uma de suas mãos. O objeto lançado provocava o trovão. Na outra mão, empunhava uma lança. Quando arremessada produzia os raios.

Castigo dos deuses
Para os antigos gregos, os raios eram lanças produzidas pelos gigantes Ciclopes, criaturas de um olho só. Elas eram feitas para que Zeus, o rei dos deuses, as atirasse sobre os homens pecadores e arrogantes. Como a mitologia grega foi migrada e adaptada à romana, a interpretação dada aos raios não sofreu muita alteração entre os romanos.

Alvo ou proteção?
Acreditava-se que havia árvores que atraíam raios, enquanto outras as repeliam. O grande deus romano, Júpiter, tinha como símbolo o carvalho, árvore alta e majestosa, constantemente atingida por raios. Por outro lado, acreditava-se no poder de proteção do loureiro, arbusto também encontrado na região do Mediterrâneo, cujos ramos e folhagens eram utilizados sobre a cabeça de imperadores e generais romanos.

Sinos contra raios
Outra crença muito difundida na Europa Medieval dizia que o badalar dos sinos das igrejas durante as tempestades afastaria os raios. A superstição perdurou por muito tempo. Muitos campanários de igreja foram atingidos e mais de uma centena de tocadores de sino foram mortos acreditando em tal ideia. A superstição perdeu força somente no início do século XVIII.

Amuletos de proteção
Outra crença popular considerava a pedra-de-raio um talismã para proteção pessoal e de residências entre povos europeus, asiáticos e americanos. No nordeste brasileiro, a pedra-de-raio é conhecida até hoje como pedra-de-corisco, por influência dos portugueses do século XVI.

A pedra seria trazida pelo raio, cuja força meteórica a enterraria. A origem de tal superstição está baseada na falsa ideia de que um local não pode ser atingido duas vezes pelo mesmo raio, mas a explicação para a origem destas ideias pode estar relacionada com achados de utensílios e armas de pedra polida de povos mais antigos.

Sabe-se que os etruscos e, mais tarde, os romanos da antiguidade usavam a pedra (pontas de flechas e de martelos) em colares como amuleto. Ficavam à mostra no pescoço, mas também eram colocadas nas casas e no telhado com o intuito de ficar a salvo dos raios.

Na Bahia, os escravos africanos acreditavam que a pedra-santa-bárbara, como chamavam a pedra-de-raio, desprendia-se da atmosfera durante as tempestades. Ela teria poderes curativos e por isso era utilizada em preparos de remédios para diversas doenças.

Espelho atrai raios?
Não. A crença surgiu na época em que os espelhos tinham grandes molduras metálicas – elas, sim, um grande atrativo para os raios. Não há necessidade de cobrir espelhos durante uma tempestade.

Um raio não atinge duas vezes o mesmo local?
Também é mentira. Uma prova disso é o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que recebe cerca de seis raios por ano.

Quais cuidados devem ser tomados quando ocorrem raios e/ou trovões com muita intensidade? 
O Elat/Inpe orienta a não sair para a rua ou não permanecer na rua durante as tempestades, a não ser que seja absolutamente necessário.

Veja alguns cuidados:
Deve-se procurar abrigo em carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis; em moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios; em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis, em grandes construções com estruturas metálicas, ou em barcos ou navios metálicos fechados.

Caso esteja dentro de casa, evite usar telefone com fio ou celular ligado à rede elétrica (utilize telefones sem fio); ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas; e tocar em qualquer equipamento elétrico ligado à energia.

Evite também lugares que possam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra raios, como pequenas construções não protegidas (celeiros, tendas ou barracos), veículos sem capota (tratores, motocicletas ou bicicletas) e estacionar o veículo próximo a árvores ou linhas de energia elétrica.

É preciso também evitar locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, como topos de morros ou cordilheiras; topos de prédios; áreas abertas, campos de futebol ou golfe; estacionamentos abertos e quadras de tênis; proximidade de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos; proximidade de árvores isoladas; estruturas altas como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.

Se você estiver em um local sem abrigo próximo e sentir que seus pelos estão arrepiados ou que sua pele começou a coçar, fique atento, já que isto pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.

Compartilhar