A conta de Alberto “Uda” Pereira no Instagram explicita através das imagens como é sua rotina atualmente. As fotos na academia se alternam com as do lutador trabalhando como serralheiro, exibindo portões de ferro e móveis em estilo industrial. Esta é a sua principal fonte de renda – complementada com aulas de jiu-jítsu e muay thai -, uma ocupação inusitada para quem se acostumou a ver o peso-médio no octógono.

As dificuldades fizeram Alberto “Uda” enveredar pelo ramo da serralheria. Ele conta, em entrevista ao Combate.com, que sempre teve habilidade com trabalhos manuais e, desta maneira, apresenta os serviços realizados na própria casa nas redes sociais como chamariz para possíveis clientes.

– Eu faço de tudo um pouco, sempre fiz. Tenho minha profissão, sou técnico de eletrônica, mexia com máquina de costura. Depois que eu fui para a luta, abandonei tudo. Eu fiz as grades da minha casa, da minha janela, faço uma solda aqui e lá… Em 2015, minha casa foi assaltada. O serralheiro não queria fazer o serviço por ser pouca coisa. Comprei máquina de solda e eu mesmo fiz. Fui pegando a manha, fazendo, tomando gosto. A minha casa é minha vitrine, porque mostro meu trabalho no Instagram, e a galera encomenda. É assim que estou vivendo agora. À noite dou aula de muay thai e jiu-jítsu.

Alberto Uda soma 13 vitórias e quatro derrotas no cartel — Foto: Getty Images

Alberto Uda soma 13 vitórias e quatro derrotas no cartel — Foto: Getty Images

Embora a pandemia do novo coronavírus tenha sido sinônimo de desemprego para uma parte da população, “Uda” relata que viu a demanda do seu trabalho aumentar neste período.

– Teve um vendaval aqui em Blumenau (SC), perto de onde eu moro (Gaspar), então telhamos muitas casas, fizemos a fachada com grades. O meu forte é trabalhar com ferro, mas faço móveis para a cozinha, quarto, algo rústico, porém com modernidade. É madeira com ferro, estilo industrial. Estou tendo bastante trabalho na pandemia, não posso reclamar. Estou cheio de serviço, o povo está gostando.

Alberto Uda monta o telhado de uma casa em Santa Catarina — Foto: Arquivo Pessoal

Alberto Uda monta o telhado de uma casa em Santa Catarina — Foto: Arquivo Pessoal

Aos 36 anos de idade, Alberto “Uda” – que perdeu há quatro anos para Jake Collier e Marvin Vettori em suas duas únicas atuações no UFC -, não crava sua aposentadoria do MMA. Em sua última apresentação foi nocauteado por Makhmud Muradov em um evento na Eslováquia, entretanto, frisa que só pisará no cage outra vez com uma boa proposta.

– Eu ainda não encerrei a carreira, mas as condições me dizem que estou aposentado. Para voltar a lutar, teria que sair da cidade com condições de pagar a parcela da minha casa e poder me manter. É muito difícil uma proposta assim, ainda mais aos 36 anos. Não sou velho, mas os mais novos estão aí… É difícil eu voltar à lutar. Vou voltar a treinar esse ano e, dependendo de como for, lutarei. Depende muito da bolsa e do evento. Se for aquela bagunça, como aconteceu na Rússia (GFC 11, em maio de 2019), não luto mais. É até… não sei o nome… é vergonhoso. Colocam você em um avião teco-teco, chegando em cima da hora da pesagem, ninguém fala nem inglês. Tem que ser em um evento bom, com um cronograma, tudo certinho.

Alberto Uda monta uma peça de ferro por encomenda de um cliente — Foto: Arquivo Pessoal

Alberto Uda monta uma peça de ferro por encomenda de um cliente — Foto: Arquivo Pessoal

Lutador profissional de MMA desde 2011, o brasileiro soma 13 vitórias e quatro derrotas na carreira. Apaixonado pelo esporte, lamenta não conseguir viver apenas das artes marciais mistas, contudo, se diz realizado na atual ocupação.

– Ser um atleta é muito gratificante. Eu gostaria de viver disso, levar o nome da minha cidade e o do Brasil para o mundo. Tem pessoas que nascem com o dom da luta, eu não, tive que treinar para ganhar isso e sempre ganhei. O dia a dia de treinos é gratificante, mas não paga as contas, não enche a barriga. Eu sempre fiz tudo na minha vida com amor, gosto do que faço como serralheiro. Sempre gostei de tudo que fiz, então não tenho do que reclamar da minha vida. Gostaria de viver da luta e me aposentar bem, como lutador. Infelizmente, não deu, tive que correr para outra coisa.

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