Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, pode levar esperança e ser mais uma novidade para pacientes que precisam de transplante de córnea. Os resultados foram publicados no periódico Science Advances.

“Nosso trabalho levou a uma solução eficaz e acessível chamada LIDd cornea para tratar perfurações da córnea sem a necessidade de transplante”, disse May Griffith, uma das pesquisadoras.

Como funciona a técnica

De acordo com os cientistas o hidrogel líquido sintético e adesivo —chamado LIQD cornea— é aplicado nos olhos e rapidamente adere ao tecido da córnea.

O material promove a regeneração do tecido, tratando as perfurações da região sem a necessidade de transplante.

Como ainda está em fase de testes, os cientistas acreditam que o procedimento pode ser mais uma alternativa no tratamento de doenças dos olhos. “As múltiplas possibilidades terapêuticas resultantes de nossas pesquisas fundamentais, particularmente na medicina regenerativa, beneficiam e dão esperança às pessoas que sofrem de doenças oftalmológicas não apenas no Quebec, mas no resto do mundo”, concluiu a pesquisadora.

Outra terapia pode ajudar quem sofre com problema nos olhos

Cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um colírio capaz de impedir a perda de visão após a oclusão da veia da retina, uma das principais causas de cegueira em adultos. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Feita em ratos, a pesquisa sugere que a terapia experimental tenha como alvo a neurodegeneração e vazamento vascular no olho.

O que é oclusão de veia retiniana?

O problema ocorre quando uma veia principal que drena o sangue da retina é bloqueada, devido a um coágulo. Por causa disso, o sangue e outros fluídos vazam para a retina danificando os neurônios sensíveis à luz chamados fotorreceptores.

O colírio pode ser uma saída e chave para o problema, já que hoje o tratamento padrão é feito por meio de medicamentos que reduzem o vazamento dos vasos sanguíneos. Mesmo com essa opção, o tratamento costuma ser feito com injeções repetidas e aplicadas diretamente no olho, o que causa muito desconforto aos pacientes.

Como o colírio age

O novo tratamento tem como alvo a enzima chamada caspase-9, que age principalmente na morte celular programada, um mecanismo fortemente regulado para eliminar naturalmente células danificadas ou em excesso.

Na análise, os cientistas descobriram que um inibidor altamente seletivo dessa enzima, que foi administrada em formato de colírio, melhorou uma variedade de medidas clínicas da função da retina dos camundongos. Além disso, reduziu o inchaço, melhorou o fluxo sanguíneo e diminui o dano neural da retina.

Embora os primeiros testes tenham sido feitos com animais, os cientistas se mostram satisfeitos com os resultados e, segundo eles, o próximo passo é testar em humanos. “Os pacientes poderiam administrar a droga eles mesmos e não precisariam receber uma série de injeções. Além disso, nossos colírios visam um caminho diferente de lesão na retina e, portanto, podem ajudar pacientes que não respondem à terapia atual”, finalizou Carol Troy, uma das autoras do estudo.

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