O carioca Pedro Franceschi e o paulista Henrique Dubugras, de 18 anos, têm alguns anos de experiência em adaptação de aparelhos e softwares para consumo próprio: desbloqueio de iPhones e iPods, o que gerou uma notificação da Apple para Franceschi, e “burladinhas” para não pagar por jogos virtuais.

Em vez de usar seus conhecimentos apenas por amor à arte hacker, os dois resolveram criar um negócio –eles não tinham idade de abrir uma empresa e responder por ela, então tiveram de se emancipar para fazer isso, no ano passado.

E conseguiram arrecadar ao menos R$ 1 milhão, segundo Dubugras, junto a investidores dos fundos Arpex Capital e Grid Investments.

“A gente não tem nenhum preconceito. Só é preciso ter paciência para ensinar a parte de gestão”, diz Daniel Ibri, 31, sócio da Grid.

Os dois são fundadores da Pagar.me, uma empresa de pagamentos virtuais que promete aumentar a conversão de vendas de lojas on-line.

A companhia hoje tem dez funcionários e os garotos dizem estar “bem perto” de equilibrar as contas. É possível que fechem 2014 no azul.

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No mundo das start-ups (empresas iniciantes de tecnologia), é comum que se diga que a qualidade da equipe é mais importante do que a ideia em si.

Então faz sentido que investidores aceitem apostar na ideia de uma dupla tão jovem.

Franceschi ficou conhecido na internet aos 15 anos por conseguir “ensinar” o Siri (sistema de reconhecimento de voz usado nos celulares da Apple) a entender português –coisa que a ferramenta oficial não faz até hoje.

“Minha mãe viu na mídia e percebeu que não era brincadeira”, conta o jovem a respeito das preocupações dela com o uso excessivo do computador.

Também não é o primeiro emprego deles. Dubugras foi menor aprendiz na start-up de venda de ingressos Ingresse –ele foi contratado lá nesse regime porque é o que a legislação permite para alguém de 14 anos, mas sua função era mesmo de programação.

Seu chefe na época, Gabriel Benarrós, 25, diz que ele sempre foi muito “obcecado” e “ambicioso”, mas “responsável”. “O problema é quando a pessoa é talentosa, um hacker, mas não tem compromisso e não segue regra.”

Dubugras e Franceschi se conheceram em 2012 pelo Twitter e no final do ano foram convidados a participar de um “hackathon” (maratona de programação) em Miami, nos EUA. O grupo deles criou um sistema chamado AskMeOut, que eles chamam de “avô” do aplicativo de paquera Tinder.

O projeto foi vencedor da competição e eles embolsaram US$ 50 mil, mas acabou não indo para a frente porque logo depois surgiu o Bang With Friends, um sistema cuja função era viabilizar sexo entre pessoas que são amigas no Facebook, que era bem parecido com o AskMeOut.

“Na época achamos que tinham copiado a ideia, mas deve ter sido coincidência. Hoje, nem ligamos”, afirma o paulista.

Foi desse projeto que surgiu a ideia do Pagar.me: eles pretendiam cobrar dos homens que usassem o serviço, mas tiveram muita dificuldade para implantar o sistema de cobrança.

Acabaram tendo a ideia de negócio e resolveram trancar a matrícula na Universidade Stanford, onde haviam sido aprovados no ano passado, para tocar o projeto, que Dubugras espera dar origem a uma “multinacional de tecnologia sediada no Brasil”.

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