Luiz Fernando Lima, direto de Brasília

Em meio à crise política e às discussões sobre a votação do impeachment da presidente Dilma Roussef, o governador da Bahia, Rui Costa (PT) esteve, nesta terça-feira (22), em Brasília para, segundo ele, tratar de assuntos de intereses do Estado.

Flagrado pela reportagem na porta do Senado, Rui confirmou reunião com o presidente Renan Calheiros. “Vai ter uma reunião dos governadores. Tivemos, pela manhã, uma reunião na casa de Rodrigo Rollemberg (PSB) para acompanhar o andamento do projeto de alongamento das dívidas. Agora, vamos estar com as lideranças no Senado para pedir a atenção dos projetos de interesse dos governos estaduais”, afirmou, informando que há na capital federal 22 governadores para o encontro.

rui costa e otto alencar

Questionado pela reportagem sobre as tensões vividas na política e economia brasileiras, o que trava pautas importantes para o Brasil, o petista baiano ressaltou que o país não pode parar. “No mundo inteiro se faz apuração de pequenos e grandes problemas, mas o país continua funcionando. Estamos paralisando o país e isso vai aumentando o desemprego e a situação vai ficando dramática”, avaliou.

Com relação à ida de Luiz Inácio Lula da Silva ao Ministério da Casa Civil e ao imbróglio envolvendo sua nomeação, o governador disse que era do convencimento das lideranças sobre a contribuição do ex-presidente ao Governo. “Lula foi convencido a entrar para tentar melhorar a articulação e as iniciativas junto ao mundo econômico para voltar a economia a crescer. Mas, de alguma forma ele já está ajudando”, afirmou. Hoje, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter na Corte investigação sobre o petista na Operação Lava Jato.

Impeachemnt

A comissão especial que vai analisar a denúncia apresentada à Câmara dos Deputados contra a presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade foi instalada na noite de quinta-feira (17). O colegiado, composto por 65 deputados titulares e igual número de suplentes, será presidido pelo deputado Rogério Rosso (PSD-DF). O relator será Jovair Arantes (PTB-GO). Os dois também são líderes dos seus partidos. Hoje, a comissão especial resolveu não juntar as novas informações obtidas após a delação de premiada do senador Delcídio do Amaral ao processo contra a presidente.

O presidente do colegiado Rogério Rosso (PSD-DF) informou aos membros da comissão na reunião desta terça-feira que a decisão já era esperada tanto pelos defensores do impedimento da presidente quanto para os governistas. O primeiro grupo está convencido de que a queda é inevitável e por isso não há necessidade de se acrescer nada além daquilo que já está posto.

Para o governador Rui Costa, a decisão pelo impeachment pode comprometer a democracia do país. “Acredito que isso não ocorra e vou lutar para isso. Isso seria perigoso para um país com curta democracia. O impeachment, apesar de ser instrumento legal, na legislação você precisa ter coisas concretas que se encaixem dentro do que está definido na lei e Dilma não tem sequer questões que estejam nos artigos previstos para se decidir pelo impeachment. O processo tem mais cunho político-partidário do que materialidade jurídica”, concluiu.

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