O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse na manhã de ontem que a imagem do Brasil está arranhada no exterior devido ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Junto aos outros governadores do Nordeste, o gestor percorre vários países europeus em busca de parcerias e investimentos para a região. “É inegável que a imagem está arranhada no exterior. Foi um ano de muitos episódios e declarações infelizes que prejudicaram a imagem do Brasil no exterior, em especial na Europa. A questão do meio ambiente é básica nesses países, você não fala em desenvolvimento se não tiver esses pilares”, disse Rui.

“Acho que essa viagem se deve para que possamos reafirmar os valores do Brasil e dos brasileiros que querem viver em harmonia com o meio ambiente, que é fonte de riqueza humana e de biodiversidade. Estamos apresentando projetos para que eles nos apóiem na recuperação de nascentes e matas ciliares”, completou.

Rui disse ainda que a iniciativa de criar o Consórcio Nordeste foi elogiada pelos líderes europeus. “O consórcio é, de fato, uma iniciativa única no Brasil e muito elogiada. Algumas instituições chegaram a dizer que vão sugerir replicar esse modelo em outras ações. Isso cria uma escala maior, reduz custos e estipula metas melhores, além de ajudar. Se cada um [dos governadores] viesse isoladamente, não despertaria o interesse de tanta gente. Chama a atenção dos empresários e instituições a vinda de toda uma região”, afirmou, em entrevista à rádio Metrópole.

A primeira missão internacional dos governadores do Nordeste foi encerrada ontem, em Berlim. Como último compromisso na Europa, eles estiveram nas sedes dos Ministérios da Economia, Educação e Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha, onde explicaram o funcionamento do Consórcio Nordeste. Ampliar o fluxo de negócios com investidores europeus e fortalecer as relações de cooperação foram os principais objetivos da viagem.

Na passagem por Paris, Roma e Berlim, o consórcio destacou o potencial de consumo e de desenvolvimento do Nordeste, que reúne 57,1 milhões de habitantes e tem um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 898,1 bilhões, equivalente a 14% do PIB brasileiro. “A viagem foi um sucesso absoluto. Todos elogiaram muito a iniciativa da formação do consórcio, simbolizando a otimização de recursos e de tempo, o que possibilita o estabelecimento de metas comuns para a região brasileira que cresce mais do que a média do Brasil nos últimos anos, mas que ainda tem fortes e grandes desafios a superar”, afirmou o governador da Bahia, Rui Costa.

Tanto no Ministério da Economia como no da Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em Berlim, nesta sexta-feira (22), a questão ambiental foi destacada pelos gestores alemães. “Temos muitas empresas com experiências nos setores de saneamento e energias limpas que podem se interessar por projetos no Nordeste. Queremos fazer uma parceria nessas áreas. Para nós, é importante a preservação da Floresta Amazônica para aceitação desses projetos com o Brasil”, explicou o secretário de Estado do Ministério da Economia, Ulrich Nussbaum.

O diretor para a América Latina do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Volker Oel, ouviu dos governadores os projetos que gostariam de contar com apoio e também ressaltou questões ambientais. “Sabemos que a proteção do clima e das florestas tropicais é uma das temáticas mais importantes. Temos muito interesse em cooperar com o consórcio, em ações como a proteção ambiental. Sabemos do grande potencial que seus estados têm na área de energia renovável”.

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