Está lançado um desafio ao mais fanático e apaixonado torcedor do Vitória. Você, que não perde um jogo, responda: quem são os titulares do sistema defensivo do seu time? É impossível responder. Em 16 rodadas do Campeonato Brasileiro, Vagner Mancini  escalou 14 defesas diferentes. O técnico foi demitido após a goleada por 4×0, contra o Atlético-PR, anteontem.

Talvez tantas mudanças expliquem o porquê de o sistema defensivo rubro-negro não ter encaixado até agora e ser o mais ineficaz da competição. O Leão tem a pior defesa da Série A, com 31 gols sofridos. Para se ter uma ideia, o lanterna Ceará levou 19 gols, 12 a menos que o Vitória.

Natural que haja uma dificuldade de entrosamento. Afinal, Mancini só repetiu a mesma escalação no sistema defensivo em duas oportunidades, ambas em jogos consecutivos. A primeira vez foi logo no começo do Brasileirão, quando mandou a campo Caíque, José Welison, Kanu, Ramon e Pedro Botelho, contra Atlético-MG e América-MG, na 2ª e 3ª rodadas. O Leão perdeu os dois jogos, ambos por 2×1.

O feito só voltou a acontecer na 13ª e 14ª rodadas. Na ocasião, Elias, Jeferson, Kanu, Aderllan e Bryan jogaram e tiveram dois desempenhos muito diferentes: venceram o Paraná, por 1×0, e foram goleados pelo Bahia, por 4×1.

A dúvida começa pelo gol. Até aqui, foram três atletas diferentes na posição: Caíque, Elias e Ronaldo. É como se o clube fizesse um rodízio a cada cinco partidas.

A movimentação também é muito intensa nas laterais. Pela direita já foram testados seis jogadores diferentes e, pela esquerda, quatro. Na direita foram três atletas da posição e três improvisados:  Lucas, Jeferson e Cedric, além do zagueiro Ramon e dos volantes Rodrigo Andrade e José Welison, que hoje defende o Atlético-MG.

Na canhota, o improviso é menor. Atletas da posição, Bryan, Mateus e Pedro Botelho, que já deixou o clube, ganharam oportunidades, assim como Jeferson, que mudou de lado e jogou na outra ponta quando solicitado.

A rotatividade na zaga também assusta. O número de jogadores testados parece até aceitável: seis (Kanu, Aderllan, Ramon, Ruan Renato, Walisson Maia e Bruno Bispo). O problema é que, com eles, foram formadas sete duplas diferentes.

Como entrosar?
A dupla que mais jogou foi Kanu e Aderllan, com sete jogos. Foi também a que mais sofreu gols: 14. Em seguida, a dupla que mais apareceu em campo foi Kanu e Ramon: três jogos, seis gols. Ambas têm média de dois gols sofridos por jogo – média muito parecida com a do Leão na competição (1,9).

Em duas partidas, Kanu e Walisson Maia aparecem no time titular – foram três gols sofridos. As que menos jogaram, com apenas um jogo cada, foram Aderllan e Ramon (um gol sofrido), Bruno Bispo e Ramon (três gols), Kanu e Ruan Renato (quatro gols) e Aderllan e Ruan Renato, única dupla que não sofreu gols.

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