Por Rico de Souza

Hoje vou prestar uma homenagem ao saudoso big rider Eddie Aikau, surfista que desafiava as ondas grandes, e tornou-se uma verdadeira lenda no mundo do surfe, um Herói Havaiano. Nos anos 1970. Eddie era guarda-vidas em Waimea, emblemática onda do big surfe mundial, na qual era constantemente visto surfando nas ondas grandes e onde também salvou inúmeras vidas.

Amigo — Foto: Clyde Aikau e Rico - Foto: divulgação

Amigo — Foto: Clyde Aikau e Rico – Foto: divulgação

Em março de 1978, fui para a Austrália em um vôo fretado pela equipe havaiana para extinto campeonato “Stubbies Pro”, em Burleigh Heads, Surfers Paradise. Essa competição seria a primeira a contar com baterias com apenas dois surfistas o chamado: “Homem a homem”. Importante lembrar que esse formato foi inaugurado naquele evento, e até hoje as disputas são feitas dessa maneira nos eventos do circuito mundial da WSL ( World Surf League ). Antes do Stubbies, as baterias eram compostas por quatro ou até seis atletas.

Big — Foto: Eddie pegando uma boa em Waimea - Foto: arquivo

Big — Foto: Eddie pegando uma boa em Waimea – Foto: arquivo

Chegando na Austrália a competição seguiu com várias baterias, mas logo no primeiro dia, Eddie tomou a decisão de retornar ao Havaí. E por conta da amizade que eu nutria com ele e com toda a equipe havaiana, chegou pra mim e disse: “Rico, estou voltando para o Havaí amanhã, e gostaria que você viajasse para Bells Beach e para o Coke Classic ( outro evento do circuito ) com meu irmão Clyde”. Concordei com Eddie e fui para as próximas etapas com o Clyde. Alugamos o carro, a casa, juntos e continuamos a viagem.

Evento — Foto: Cerimônia de abertura do período de espera para o The Eddie - Foto: divulgação

Evento — Foto: Cerimônia de abertura do período de espera para o The Eddie – Foto: divulgação

Enquanto isso Eddie retornou ao Havaí como havia dito e foi velejar em um barco chamado Hokule’a (Embarcação produzida pela Sociedade Viajante da Polinésia em resgate à cultura das primeiras viagens a ilha) com o intuito de ir do Havaí ao Taiti navegando 30 dias sem instrumentos, apenas com o auxílio da estrelas, no mesmo estilo de seus ancestrais.

Presente — Foto: Rico mostra a prancha que ganhou de presente de Eddie Aikau - Foto: arquivo pessoal

Presente — Foto: Rico mostra a prancha que ganhou de presente de Eddie Aikau – Foto: arquivo pessoal

Cerca de dez dias depois quando já estava em Bells Beach, as duas horas da manhã de uma forma bem ab

Big — Foto: Foto clássica Eddie em The Bay - Foto: arquivo

Big — Foto: Foto clássica Eddie em The Bay – Foto: arquivo

Abrrupta, bateram em nossa porta avisando que o Eddie havia sumido durante uma tempestade no Canal de Molokai. Acordei o Clyde com o máximo de calma possível, e dei a noticia que seu irmão Eddie havia sumido no oceano durante uma tempestade. No dia seguinte ele embarcou de volta para o Havaí para acompanhar as buscas ao seu irmão. A morte de Eddie foi infelizmente confirmada.

Claasico — Foto: Foto que estampa o cartaz do The Eddie

Claasico — Foto: Foto que estampa o cartaz do The Eddie

esde então a minha amizade com a família Aikau se tornou mais sólida, uma relação de respeito, carinho e amizade. Quando realizei a primeira versão do ‘Museu do Surf’ num evento no Madureira Shopping Rio, convidei Clyde para vir à inauguração, ocasião em que ganhei uma prancha que pertenceu ao Eddi, guardo essa verdadeira relíquia com muito carinho e respeito. Essa prancha que ganhei de presente era utilizada por Eddie para surfar em Waimea quando quebrava pequeno, sessão do inside, Pinballs, conhecida assim por conta de ter várias pedras no caminho.

livro — Foto: O livro que conta a saga do herói havaiano

livro — Foto: O livro que conta a saga do herói havaiano

A memória de Eddie permanece viva até hoje. O evento Eddie Would Go,competição consideradas como a mais tradicional do calendário de ondas grandes, é realizada em Waimea em sua memória. O ‘The Eddie’ como é conhecido somente é realizado quando as condições estão extremas, acima dos 20 pés Havaianos, e para um seleto grupo de seleto de 32 surfistas, e 18 alternates convidados, incluindo nove mulheres.

Deixo aqui meu Aloha, com muito carinho, respeito e admiração por essa verdadeira Família do Surfe!

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