Além de ter as sedes interditadas durante uma operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares (Aspra) também teve as atividades suspensas por tempo indeterminado a partir desta quarta-feira (16), por determinação da Justiça. A diretoria da associação também é investigada por fraude e desvio de dinheiro.

As informações foram divulgadas pelo MP e pela Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP-BA), durante coletiva de imprensa. A ação faz parte de uma investigação do Ministério Público da Bahia, com apoio da SSP, para apurar se integrantes da Associação tem relação com os crimes ocorridos em Salvador após uma suposta paralisação de policiais militares anunciada pelo grupo.

“Há uma decisão judicial suspendendo completamente as atividades da Associação, internditando as sedes e, por tanto, ela não pode funcionar. E ninguém pode falar por ela em termos de funcionamento. Uma ordem judicial que interdita o funcionamento regular. Quem praticar qualquer ato que descumpra essa determinação judicial pode sim estar cometendo crime também de desobediência”, disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional da Segurança Pública e Defesa Social (Ceosp), procurador de Justiça Geder Gomes.

Segundo o secretário estadual da Segurança, Maurício Barbosa, além de envolvimento nos ataques, a diretoria da Aspra também é investigada por fraude nas eleições da mesa diretora do grupo e desvio de dinheiro da entidade para contas pessoais. No entanto, não foram detalhadas quantias e nem as identidades dos envolvidos.

Sede do Ministério Público da Bahia (MP-BA), em Salvador  — Foto: Alan Oliveira/G1

Sede do Ministério Público da Bahia (MP-BA), em Salvador — Foto: Alan Oliveira

“Nós estamos aprofundando e buscando provas a respeito de uma investigação já em curso na Polícia Civil, que apura desvio de recursos da Aspra em contas bancárias pessoais de pessoas da administração da Associação. Não só o desvio da finalidade da Associação, promovendo e incitando práticas criminosas, mas também crimes sendo praticando na administração da própria Aspra”, disse Maurício Barbosa.

“Tivemos inúmeros depoimentos e documentos que comprovam a falsificação de atas na eleição do corpo diretor da Aspra. Isso relatado por pessoas que trabalhavam lá dentro e isso já foi devidamente relatado e encaminhado para o Ministério Público para oferecer ação penal”.

Nesta quarta-feira, a ação do MP ocorreu simultaneamente em 20 cidades baianas onde a Aspra tem sede. São elas: Salvador, Alagoinhas, Barreiras, Feira de Santana, Guanambi, Ilhéus, Irecê, Itaberaba, Itabuna, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Paulo Afonso, Porto Seguro, Santa Maria da Vitória, Santo Antônio de Jesus, Senhor do Bonfim, Serrinha, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista.

Conforme a SSP, além da interdição dos imóveis e da busca e apreensão de documentos, computadores e dinheiro, também foi determinado o bloqueio das contas da entidade. Vinte promotores de Justiça participaram da ação em todo o estado.

Alvos de operação do MP, sedes da Aspra na Bahia foram interditadas após determinação da Justiça na manhã desta quarta-feira (16) — Foto: Alberto Maraux/SSP

Alvos de operação do MP, sedes da Aspra na Bahia foram interditadas após determinação da Justiça na manhã desta quarta-feira (16) — Foto: Alberto Maraux/SSP

Em Salvador, de acordo com a SSP, além de documentos, foram apreendidas munições, um carro e cerca de R$ 8 mil. Catorze policiais militares foram levados para a Corregedoria da PM e outras dez pessoas foram levadas para a Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) para serem ouvidos.

O presidente da Associação, Marco Prisco, que é deputado estadual, não estava no local no momento da ação, porque, segundo a entidade, foi alvo de um ataque a tiros horas antes da operação ser deflagrada, passou mal e acabou internado.

O carro e parte do dinheiro encontrado na Aspra estão relacionados ao deputado. Segundo o secretário da Segurança, o veículo pertence à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e, no interior dele, foi encontrada cerca de R$ 5 mil, além de tickets de combustível em nome da Alba. A situação será apurada.

Durante a tarde, advogados da Aspra farão uma coletiva de imprensa em Salvador para, segundo a entidade, esclarecer as acusações e passar informações sobre o ataque contra Prisco.

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