Na última quarta (08), a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), pré-candidata à Prefeitura de Salvador, realizou um debate virtual com o objetivo de discutir a saúde e qualidade de vida em Salvador. Na imprensa local, o vereador Duda Sanches (DEM) referiu-se ao evento como “palanque” para impulsionar a candidatura da deputada, alegando que o momento não é propício para essa discussão.

O comentário foi recebido de forma negativa pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que também integrou o debate em questão. “Fiquei surpresa com o tom deselegante e ofensivo do vereador. É óbvio que o momento é próprio para avaliação da gestão do atual prefeito, pois vivemos num momento de crise sanitária e, além disso, teremos eleições esse ano. É, portanto, legítimo que Olívia Santana emita sua opinião”, pontua Aladilce.

A vereadora, que tem a saúde como bandeira principal de atuação, têm denunciado de maneira recorrente a situação precária da saúde na cidade e no estado. “Duda desqualifica a deputada porque não tem justificativa para a gestão pífia na área da saúde. São 8 anos de gestão de ACM Neto, e a saúde precarizada é a principal queixa da população. Pessoas que passam a madrugada inteira na fila, sem acomodação, com blocos de requisição de exame sem conseguir marcar”, relata.

PROPAGANDA – Segundo Aladilce, “o prefeito propagandeia e comemora a ampliação da cobertura da atenção básica. Mas sabemos que, na realidade, é uma ampliação artificial e precária, pois se dá às custas da redução do número de agentes comunitários por equipe de saúde da família, impossibilitando o acompanhamento da população”, declara a também Ouvidora da Câmara Municipal, que realizou em Junho uma audiência virtual sobre o tema.

De acordo com o Relatório de Execução Orçamentária e Fiscal, dos R$1,5 bilhão direcionados à saúde durante as duas gestões de ACM Neto, apenas 3,2% foram para atenção básica, e 0,05% para vigilância epidemiológica, que trata das arboviroses. “Há um desprestígio, uma falta de prioridade com atenção básica e vigilância epidemiológica, por isso que estamos nesse cenário. Ele está em seu último ano de governo e não conseguiu garantir o mínimo para a população. As doenças, ao invés de diminuir, aumentaram exponencialmente. Adianta inaugurar unidades se a assistência não corresponde?”, indaga.

A edil ressalta que comemorar a ampliação do número de unidades de saúde não significa, necessariamente, melhoria da assistência. “Constatamos, por meio de blitz realizadas nas unidades, que a resolutividade delas é baixíssima. Além da consulta, vacina, curativo, as pessoas necessitam de exames, internamentos e cirurgias. O município de Salvador é responsável pela atenção integral à população, não apenas pela atenção básica”, reitera.

ARBOVIROSES – Aladilce também ressaltou o aumento exponencial da dengue, zika e chikungunya no município. “Uma das maiores evidências de que Salvador precisa de uma gestão que ponha a saúde como prioridade, é a epidemia de arboviroses. O Aedes Aegypti está dominando! O prefeito está finalizando o segundo período de governo e não tratou essas doenças devidamente”, analisa.

Segundo dados veiculados na imprensa, desde o início de 2020 a zika aumentou 4x mais em relação ao mesmo período em 2019. “Talvez a explicação esteja nos investimentos públicos na área de vigilância epidemiológica, que foram pífios”, explica a vereadora. “É preciso reformular a saúde na cidade. A espera na fila da regulação para procedimentos é cruel, desespera os cidadãos. A maioria acaba pagando exames em laboratórios particulares, e isso é um absurdo. Precisamos de saúde pública e de qualidade, porque é um direito”, finaliza.

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