Um relatório divulgado pelo jornal Estadão apontou que parlamentares do Congresso Nacional distribuíram mais de R$ 27 milhões em emendas do chamado “cheque em branco” para prefeituras comandadas por familiares.

O mecanismo, criado no governo Bolsonaro, permite o envio de dinheiro público das emendas individuais dos parlamentares para bases eleitorais sem um objetivo definido e livre de fiscalização federal, e foi utilizado por 393 parlamentares em detrimento da utilização das emendas com indicação de critérios técnicos para a utilização da verba.

A facilidade na utilização do mecanismo, que cumpre um tempo de cerca de 60 dais para que a verba seja alocada para as prefeituras já que não passa pelo crivo de órgãos de controle, tem criado a distorção já que emendas com destinação específica podem levar até um ano e meio para serem pagas.

No levantamento, foram encontrados seis casos de deputados que determinaram a distribuição de R$ 27,6 milhões para cidades comandadas por seus filhos, irmãos, pai e sobrinho.

Entre os casos apontados, está o da deputada Clarissa Garotinho (PL-RJ), que enviou R$ 4,5 milhões para Campos de Goytacazes onde o irmão, Wladimir Garotinho, é prefeito. Os dois são filhos dos ex-prefeitos da cidade Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho.

O modelo também foi usado em outros casos como no caso do deputado Aécio Neves que enviou R$ 300 mil para o município de Cláudio (MG), onde o Ministério Público investigou a construção de um aeroporto em um terreno da família do deputado.

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