Oficializada como pré-candidata ao cargo de prefeita de Salvador pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a major licenciada da Polícia Militar Denice Santiago comentou quais as diretrizes de sua campanha eleitoral para o pleito previsto para este ano. Em entrevista a Mário Kertész hoje (28), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ela afirmou que o projeto político para as eleições de 2020 não pode ter uma personificação única e sim construído a várias mãos.

“Nós teremos uma nova cidade, uma nova forma de fazer política e um novo processo eleitoral. O projeto de Salvador não pode ser individual por conta disso. Não pode caminhar a partir de uma percepção apenas, precisa ser um projeto coletivo, um projeto onde quem vai ou já sente a dor e a delícia de estar nessa cidade. Assim é o partido dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ele faz essa construção a partir desta coletividade, desta escuta responsável e representatividade”, declarou Denice.

Ainda segundo ela, embora o momento de pandemia obrigue as pessoas a se distanciar, é necessária a percepção de todas as camadas da sociedade da capital baiana. “De pronto, a gente percebe e o que eu sinto na minha cor, na minha carne e estrutura feminina, é que Salvador precisa ser cuidada a partir das pessoas que constroem essa cidade, são essa cidade e moram nessa cidade. A cidade precisa ser unificada para todos e todas, sem barreiras, discriminação, racismo e sem barreiras. Uma cidade acolhida e respeito, como é cada soteropolitano, que acolhe, protege e recepciona. Eu acredito que a gente precisa pensar nessa cidade a partir das pessoas que vivem nesta cidade”, acrescenta.

Denice superou o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira e a socióloga Vilma Reis na escolha pelo nome da legenda. A major da PM foi eleita com 32 dos 45 votos dos delegados do partido. Ela revelou que chegou a ser sondada pelo Democratas em 2018, numa tentativa de integrar a chapa do prefeito eleito na ocasião, ACM Neto.

“Fui cogitada, fui sondada e consultada em todos os processos. Mas minha história de vida talvez não coubesse naquele projeto. Até me senti lisonjeada por ter sido lembrada naquele momento. Mas eu declinei porque minha história de vida, tudo o que acredito e construí não se adequava ao projeto que estava me sendo posto”, afirmou.

Criadora da Ronda Maria da Penha, que combate a violência doméstica no estado, Denice é a primeira mulher negra a ser candidata à prefeita pelo partido em Salvador. Questionada sobre o papel da corporação no enfrentamento aos problemas relacionados ao papel da mulher na sociedade, a pré-candidata reforçou o discurso contra o machismo.

“Estávamos colocando uma instituição quase bicentenária para dialogar com um crime diferente, um crime cultural. Se nós formos recuar um pouco no tempo, nossa sociedade foi construída a partir do patriarcado. Dentro desse legado do patriarcado, talvez o machismo seja a mais perversa de suas características. Esse machismo retirou da mulher direitos e a voz dela”, disse Santiago.

“Temos uma sociedade que se baseou no fato de que o homem teria supremacia, poder e decidir as vontades desta mulher. O tempo foi nos mostrando que nós, homens e mulheres, independente do gênero, somos iguais. Iguais direitos, em obrigações, iguais em possibilidade de escolha”, acrescentou.

Por Matheus Simoni – Metro1

Compartilhar