Relatora da CPMI das Fake News, a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou nesta sexta-feira, 8, que as investigações da comissão estavam alcançando figuras próximas do presidente Jair Bolsonaro antes de ter os trabalhos suspensos por causa da pandemia do novo coronavírus.

A CPMI tem sido alvo dos filhos do presidente da República e outros bolsonaristas porque apura se eles teriam montado esquema para disseminar ódio e notícias falsas nas redes sociais. O deputado federal Eduardo Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar a prorrogação da comissão, mas teve o pedido negado pelo ministro Gilmar Mendes.

Nesta semana, oito deputados aliados a Bolsonaro foram novamente ao Supremo, desta vez para pedir a troca do presidente do colegiado, o senador baiano Angelo Coronel (PSD). Eles alegam que o parlamentar tem sido parcial na condução dos trabalhos. Bolsonaristas alegam que o objetivo da CPMI é perseguir o presidente da República. A polêmica da vez entre aliados do presidente e a comissão é o possível convite para que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deponha no colegiado para falar sobre as acusações contra Bolsonaro.

“A nossa investigação, a partir de uma linha que se tornou muito visível e importante, foi, a partir da denúncia do deputado [Alexandre] Frota e da deputada Joice [Hasselmann], quando eles apresentaram o modus operandi e uma série de nomes e perfis que seriam organizados para disseminação de ódio e fake news do Brasil, que funcionaram na campanha presidencial e estariam funcionando hoje, e que algumas dessas pessoas estariam trabalhando hoje no gabinete da Presidência, tendo montado o que eles chamaram de gabinete do ódio”, afirmou a deputada na rádio A TARDE FM.

Ainda segundo ela, o ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, general Santos Cruz, deu versão parecida em depoimento na comissão, o que reforçou a linha de investigação envolvendo bolsonaristas.

“Não posso dizer que essa versão foi confirmada, mas foi bem falada pelo ex-ministro Santos Cruz, que ele sabia da existência de uma assessoria de pessoas, nomes que coincidiam com os de pessoas que os deputados noticiavam, dizendo que essas pessoas trabalhavam bem próximas ao presidente, que não tinham qualificação para estarem próximas ao presidente da República e que tinham influência muito grande sobre ele”, relatou a deputada.

Lídice frisou, no entanto, que a CPMI ainda não chegou a nenhum tipo de conclusão sobre as linhas de investigação adotadas no colegiado. A parlamentar baiana explicou os trabalhos feitos atualmente são diferentes dos de comissões passadas.

“Não é uma investigação igual ao que estava acostumado a se fazer em outras comissões de inquérito. Geralmente, eram feitas a partir de inquéritos já instaladas no Judiciário, com acusações as quais o Parlamento pretendia se aprofundar, ou delações, premiadas ou não, de pessoas com questões relacionadas a recursos públicos, empresas públicas. Elas vinham a partir de uma materialidade de denúncias, que não são o caso desta CPMI.”

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