Por Vitor Villar – Correio da Bahia

Guilherme Rend é um garoto nascido e criado em Salvador. Mais especificamente, em Paripe, no Subúrbio Ferroviário. Mas só agora, aos 21 anos, tem recebido chance em um grande clube da cidade natal.

Oportunidade que o volante tem aproveitado bem. Contra o Freipaulistano, neste domingo (16), é certo que o camisa 5 será titular no duelo no Barradão, às 18h, pela 4ª rodada da Copa do Nordeste.

Mas quem é Guilherme Rend? “Um moleque bem decidido do que quer. Disposto a tudo, quer jogar a vida dele no Vitória. Quer ser titular e se consolidar no time. Quer fazer uma boa temporada e colocar o Vitória na Série A. Disposição e vontade nunca vão faltar”, descreve-se.

Rend começou aos 13 anos no Salvador FC, time da capital que disputa apenas campeonatos de base. Aos 17, a fim de dar o próximo passo, foi para o sub-20 do Athletico-PR e completou a formação no Sul.

“Morei três anos em Curitiba. Longe da família, num estado bem diferente, mas fui muito feliz no Athletico. Fui campeão paranaense em 2018 pelo time sub-23 (o Furacão usa a equipe de aspirantes no estadual). Em 2019 fui emprestado ao Toledo, time do interior, e fui vice-campeão estadual. Fizemos a final com o Athletico”, conta Guilherme.

Hoje titular do Vitória e até marcando gol – fez no empate em 1×1 com o Sport –, o volante diz com tranquilidade o que considera o motivo de não ter terminado a base em clubes de Salvador: “Sempre busquei testes aqui dentro do meu estado, mas houve um pouco de discriminação comigo por ser bem magro, antes era até mais magro”.

“Diziam que eu não tinha físico para jogar. Mas aí o Athletico abriu as portas para mim”, afirma. “Acho que no final foi bom para mim, sabe? Ter vivido fora de Salvador, longe da família, me fez amadurecer muito. Acho que está fazendo diferença agora. Voltei ainda jovem, mas maduro e com experiência no profissional”.

Mesmo no Athletico, Rend pertencia ao Jacuipense, clube gerido por seus empresários. O retorno a Salvador ocorreu no ano passado, quando o Vitória o contratou por empréstimo para disputar o Brasileiro de Aspirantes. O volante foi um dos destaques da equipe e renovou o vínculo por um ano.

O curioso é que Rend saiu de férias achando que retornaria para atuar pelos aspirantes. “Só fiquei sabendo que ia jogar no time principal no começo do ano, na reapresentação. Cheguei aqui e meu nome estava no elenco do time principal. Foi uma surpresa muito grande, né? Um sonho não só para mim, mas para toda a minha família. Especialmente para o meu pai”, revela.

PAI NA ARQUIBANCADA

Família, por sinal, tem sido um dos grandes diferenciais para Rend no Vitória: “Acho que a ficha do meu pai ainda nem caiu. Me ver jogando no Barradão era um sonho para ele. Foi o cara que sempre me acompanhou no futebol, desde a base. Me levava para os treinos, me apoiava. Ele estava acostumado a me assistir de longe, na base. Agora, está vendo num time principal, titular e em casa”, completa Rend.

O pai é também a origem do sobrenome diferente. O nome dele é Tibor Rend, filho de húngaros. Por causa disso, o volante do Vitória tem um passaporte europeu, o que facilitaria caso o rubro-negro queira negociá-lo no futuro.

O volante não esconde o sonho de jogar na Europa um dia: “Com certeza. Não é só meu sonho, mas de qualquer atleta do futebol brasileiro. Espero um dia realizar esse sonho. Passaporte já tenho, né? Agora é só trabalhar, ajudar o Vitória, para ver se aparece algum clube. E que seja bom para o Vitória também”.

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