Mesmo com o setor aéreo seriamente afetado pelo coronavírus, ainda há voos disponíveis entre o Brasil e o exterior. Companhias como Air France, KLM e Azul hoje operam por viagens essenciais no meio da crise sanitária.

Encarar um voo internacional no meio da pandemia, no entanto, não é a mesma experiência que a do pré-coronavírus do pré-embarque até os serviços de bordo das empresas aéreas. Conheça algumas destas mudanças e a percepção dos passageiros que vivenciaram este momento.

No aeroporto

Medida de controle ao coronavírus no desembarque do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro - RICARDO MORAES

Medida de controle ao coronavírus no desembarque do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro

Imagem: RICARDO MORAES

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda que as administradoras aeroportuárias organizem a circulação no check-in e embarque de forma que a distância de dois metros entre todos seja respeitada. A medida também vale para as filas das praças de alimentação. No aeroporto de Guarulhos, por exemplo, este distanciamento é delimitado com adesivos no piso.

A agência também recomenda avisos sonoros em todas as áreas de embarque e desembarque nacionais e internacionais, além de dispensadores de álcool em gel em todas as dependências dos aeroportos.

Aeroporto Internacional de Guarulhos é desinfectado durante a pandemia de coronavírus  - Divulgação

Aeroporto Internacional de Guarulhos é desinfectado durante a pandemia de coronavírus

Imagem: Divulgação

Outra medida sugerida é intensificação do trabalho das equipes de limpeza dos aeroportos e a colocação de material informativo com medidas de prevenção à covid-19 próximo aos bebedouros e a outros locais de maior risco, como banheiros e refeitórios.

Segundo o aeroporto de Guarulhos, a frequência de limpeza nas áreas comuns do aeroporto aumentou, assim como a quantidade de dispensadores de álcool. Outra medida anunciada é a desinfecção, por meio de nebulização, em áreas comuns dos terminais.

Membros das forças armadas desinfetam o Aeroporto Internacional de Brasília, em meio ao surto de doença por coronavírus  - UESLEI MARCELINO/REUTERS

Membros das forças armadas desinfetam o Aeroporto Internacional de Brasília, em meio ao surto de doença por coronavírus

Imagem: UESLEI MARCELINO/REUTERS

Temperatura antes do embarque

Desde o dia 1º de maio, passageiros de voos internacionais e também nacionais no aeroporto de Guarulhos têm sua temperatura medida por profissionais que trabalham quase completamente cobertos, com máscara, óculos de proteção, toca e luvas.

Caso apresentem sintomas de que estão contaminados com o coronavírus, os viajantes serão encaminhados ao posto médico do próprio aeroporto, para receber orientações e atendimento.

No avião

Distanciamento social até em voo

Devido à crise do coronavírus, voos internacionais partem praticamente vazios - Getty Images

Devido à crise do coronavírus, voos internacionais partem praticamente vazios

Imagem: Getty Images

Companhias como Air France, que realiza viagens entre Brasil e França, e KLM, que faz a ponte com Holanda, alegam que os baixos níveis de ocupação atuais permitem colocar em prática as regras de distanciamento social de pelo menos 1,5 metro entre os passageiros.

Há casos em que os passageiros viajam sem ter pessoas nos assentos ao lado, mesmo na classe econômica.

Nos casos em que isso não é possível, a companhia francesa afirma que a tripulação distribui máscaras na entrada da aeronave para todos os clientes.

Perigo a bordo

No caso de algum passageiro apresentar sintomas do coronavírus em voo, a recomendação da Anvisa é de que “itens como travesseiros e mantas dos assentos localizados na mesma fileira, duas fileiras à frente e duas fileiras atrás do viajante suspeito e de seu grupo familiar sejam enviados para higienização em lavanderias hospitalares”.

A KLM informa, por exemplo, que, nesta circunstância, o passageiro sintomático é isolado o máximo possível [dentro da aeronave].

Todos mascarados

Tripulação da LATAM, como de muitas outras companhias aéreas, se protege com máscaras e luvas - Getty Images

Tripulação da LATAM, como de muitas outras companhias aéreas, se protege com máscaras e luvas

Imagem: Getty Images

Para proteção de passageiros e tripulação, o uso de máscaras e luvas se tornou sistemático nas companhias Air France e KLM. Outra medida citada por ambas empresas é o limite de interações entre a equipe e os passageiros durante o serviço de bordo.

A companhia holandesa acrescenta, ainda, que, a bordo, a tripulação usa touca e há equipamento de higiene extra dentro do avião, como desinfetantes para as mãos. Além disso, a cada voo, um banheiro é mantido livre exclusivamente para a tripulação.

Já a companhia aérea Azul – que tem realizado voos de Campinas (SP) para Lisboa, Orlando e Fort Lauderdale – informou, no dia 29 de abril, que todos os integrantes de sua equipe, sejam eles agentes de aeroportos, de cargas, técnicos de manutenção, comissários ou pilotos, estão recebendo máscaras como parte do uniforme.

“Estamos pedindo para que nossos clientes também utilizem máscaras, lenços ou tecidos de proteção que os deixem confortáveis durante o voo”, conta Jason Ward, vice-presidente de Pessoas e Clientes da Azul.

Limpeza das aeronaves

Cada companhia elencou ao Nossa uma série de medidas específicas de higienização da aeronave.

A Air France afirma que o ar da cabine é renovado a cada três minutos por um sistema de reciclagem de ar idênticos aos usados em cinemas e teatros, além de desinfecção de cabine em larga escala, incluindo a pulverização regular feito com um produto virucida.

A Azul também informa que, ao término de cada voo, uma equipe de limpeza desinfeta toda a aeronave, inclusive cintos de segurança, bandejas das poltronas, apoios de braços e bagageiros da cabine, além de tapetes, locais de trabalho da tripulação e os lavatórios.

A Anvisa, por sua vez, faz uma série de recomendações para as companhias aéreas: entre elas, “divulgar avisos sonoros em todos os voos [com mensagens de prevenção da disseminação do coronavírus] e “disponibilizar, dentro das aeronaves, álcool em gel nos banheiros”.

O que diz quem já viajou assim

Apesar de todas as medidas, muitos passageiros, entretanto, não têm respeitado o distanciamento. Pelo menos é o que dizem viajantes que, recentemente, fizeram voos internacionais a partir do Brasil.

Trevor Paetkau e a esposa - Arquivo pessoal

Trevor Paetkau e a esposa

Imagem: Arquivo pessoal

O canadense Trevor Paetkau, por exemplo, pegou um voo em Guarulhos, para voltar ao seu país de origem. “No aeroporto, vi muitas famílias tomando pouquíssimas precauções e quase nenhum distanciamento na fila do check-in”, lembra ele. “E, nas áreas dos portões de embarque, também havia passageiros se aglomerando”.

Além disso, Trevor relata momentos de preocupação no voo até Toronto, que durou mais de 10 horas. “Havia pessoas tossindo e senti que muitos não estavam tomando as precauções necessárias”.

A italiana Antonella Iannarilli, que passava férias no Brasil - Arquivo pessoal

A italiana Antonella Iannarilli, que passava férias no Brasil

Imagem: Arquivo pessoal

A italiana Antonella Iannarilli, que regressou para o seu país em abril desde o Brasil, teve a mesma impressão. “Para entrar o avião, a distância não foi respeitada”, conta ela. “As pessoas pareciam preocupadas, mas não o bastante para ficarem a dois metros uma da outra. Por isso, resolvi entrar por último na aeronave”.

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