A Comissão da Cultura da Câmara dos Deputados entrou com uma queixa-crime conttra o Secretário Especial da Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias, pelo incêndio de um galpão da Cinemateca Brasileira, que aconteceu na última quinta-feira, 29, em São Paulo.

A presidente da comissão, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) afirmou em entrevista à Rádio Câmara que também foi feito um pedido ao Ministério Público Federal para que uma auditoria seja realizada na Secretaria Especial da Cultura do governo federal.

“Nós temos os vídeos de menos de 15 dias antes do recesso, técnicos e amigos da Cinemateca dizendo que existia um risco de incêndio. Isso tudo foi avisado à Secretaria Nacional de Cultura, tudo foi noticiado por e-mail, por documentos, à Secretaria Nacional de Cultura. Nenhuma decisão foi tomada e o incêndio aconteceu, para o prejuízo de um patrimônio relevante, indispensável para a preservação da memória do cinema nacional”, disse Alice Portugal.

De acordo com o Corpo de Bombeiro, o incêndio teria começado em um aparelho de ar-condicionado. Por meio de nota, a Secretaria Especial da Cultura informou que o sistema de climatização passou por uma manutenção um mês antes. A Polícia Federal está conduzindo as investigações.

O incêndio

Um incêndio destruiu na última quinta-feira um galpão da Cinemateca Brasileira em São Paulo que continha cerca de 2 mil cópias de filmes, em um incidente considerado por profissionais do audiovisual uma “tragédia anunciada”, devido ao descaso do governo Jair Bolsonaro com as políticas culturais.

Quinze caminhões de bombeiros com mais de 50 homens passaram mais de duas horas combatendo as chamas, que destruíram grande parte do prédio.

O edifício que pegou fogo não é a sede da Cinemateca, que fica em outro bairro de São Paulo. Esse galpão guardava cópias de filmes, muitos deles raros e às vezes em melhores condições que os originais, segundo especialistas.

Em julho de 2020, o Ministério Público de São Paulo ajuizou uma ação contra o governo federal por “abandono” da Cinemateca, questionando a retenção de recursos e a ausência de um gestor. No mês seguinte, a instituição parou de funcionar e 41 funcionários foram demitidos.

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