Renata Turbiani – Blog VivaBem

“Toma um chá de boldo que passa”. É bem provável que você já tenha recebido essa dica de algum conhecido ou parente depois de reclamar de dor de estômago, má digestão, queimação, azia…, condições comuns após comer ou beber em excesso, ingerir os alimentos rápido demais ou, então, quando algo simplesmente não “cai bem”.

Mas será que a bebida realmente ajuda a aliviar esses sintomas? De acordo com os especialistas consultados, a resposta é sim. Porém, eles salientam que ela não cura nenhum tipo de doença e nem substitui os tratamentos convencionais. Também pontuam que é importante consultar um médico se o problema for frequente e intenso.

Propriedades do boldo

Considerado uma planta medicinal, o boldo contém diversos fitoquímicos, como a boldina, e é indicado para casos de distúrbios digestivos leves. Ele tem ações antiespasmódica (reduz os espasmos gastrointestinais, ou seja, as cólicas) e antidispéptica (aumenta a secreção do sulco gástrico e a secreção salivar, facilitando, assim, a digestão).

Além disso, promove a desintoxicação, potencializa a metabolização hepática e tem efeito colagogo e colerético (estimula a secreção da bile pela vesícula biliar e a produção da mesma pelo fígado). De forma geral, ele melhora o funcionamento do trato digestivo como um todo.

É importante salientar que existem alguns tipos de boldo na natureza. Os mais conhecidos, e utilizados para aliviar os desconfortos gastrointestinais, são o do Chile (Peumus boldus Molina), o da terra (Plectranthus barbatus) —também chamado de falso-boldo e boldo-de-jardim— e o baiano (Vermonia condensata).

Escolhida a espécie, é hora de preparar o chá, e a maneira certa é a seguinte: em água fervente, coloque um punhado das folhas, tampe e aguarde 10 minutos; depois é só coar e beber, sem acrescentar açúcar ou adoçante. A quantidade indicada são duas ou três xícaras ao dia enquanto apresentar sintomas.

O que causa dor de estômago e má digestão?

São várias as causas de dor ou sensação de desconforto na parte superior do abdome, condição chamada de dispepsia. Algumas delas são: gastrite, úlcera péptica, doença do refluxo gastroesofágico, parasitose intestinal, gases, uso indiscriminado de certos medicamentos, sobretudo antiinflamatório, câncer do trato digestivo, dieta inadequada, rica em alimentos gordurosos, frituras e condimentos, intolerância à lactose, excesso de bebida alcoólica e comer rápido, sem mastigar direito, e em grandes quantidades.

Ter esses sintomas eventualmente é até normal. A preocupação surge quando se tornam persistentes, intensos e passam a ser acompanhados, por exemplo, de perda de peso e fezes ou vômito com sangue. Nestes casos, a recomendação é procurar um médico gastroenterologista o mais rápido possível para o correto diagnóstico, feito com base na avaliação clínica e em exames.

A partir daí, o especialista indicará o tratamento ideal, que pode ou não contar com o chá de boldo. Junto a isso, é imprescindível adotar hábitos mais saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, gerenciamento do estresse e eliminação do cigarro e do álcool.

Fontes: Elaine Moreira Ferreira, gastroenterologista do Instituto EndoVitta e membro da Comissão FBG Mulher, da FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia); Marcela Voris, médica nutróloga e coordenadora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia); Vanessa Prado, médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital 9 de Julho e membro da SBCD (Sociedade Brasileira de Cirurgia do Aparelho Digestivo) e da SBC (Sociedade Brasileira de Coloproctologia) e Vanderli Marchiori, nutricionista integrante da Sban (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição).

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