A Câmara Municipal de Salvador (CMS) aprovou ontem um requerimento solicitando a convocação do secretário de Trabalho, Esportes e Lazer, Alberto Pimentel (PSL), para prestar esclarecimentos sobre a indicação de um homem suspeito de violência contra mulher para cargo na pasta. Pimentel é marido da deputada federal Dayane Pimentel, presidente do PSL na Bahia. Os oposicionistas destacaram que o policial militar Jorge Bruno Guimarães Souza foi alvo de uma denúncia feita em 2014 pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). A vítima relatou supostas agressões e ameaças feitas pelo ex-namorado. Além disso, Guimarães aguarda ser nomeado para o cargo de diretor do Trabalho da Semtel – mas, mesmo assim, já participa de atos da secretaria e inclusive tem assinado documentos oficiais. O caso foi o tema principal da sessão na CMS.

Manifestaram-se a favor da convocação de Pimentel os vereadores Carlos Muniz (Podemos), José Trindade (Podemos) e Aladilce Souza (PCdoB). A vereadora Marcelle Moraes (sem partido), procuradora da mulher na CMS e aliada do prefeito ACM Neto (DEM), defendeu que sejam feitas investigações sobre o caso e pediu a Trindade provas sobre o caso. “Não podemos aceitar nenhum tipo de agressão contra a mulher”, destacou. “Quem agride mulher tem que estar preso na cadeia”.

O presidente da Casa, Geraldo Júnior (SD), endossou o pedido dos colegas. “Peço que a denúncia seja encaminhada para o corregedor Duda Sanches e para o procurador Edvaldo Brito para que seja averiguada com rigor. Afinal, trata-se de um compromisso com a Casa, com Salvador e quem não se incorporar a cerca de questões como esta estará jogando contra a cidade, contra as mulheres”, afirmou Geraldo.

Pimentel não foi encontrado pela Tribuna para comentar o caso. Também procurada, a Semtel também não se manifestou até o fechamento da matéria. Em uma rede social, o secretário se manifestou sobre a acusação contra Bruno: “Não conseguem nos atingir porque somos limpos, aí tentam atacar uma possível indicação do competente Bruno Guimarães. Bruno é pessoa da melhor qualidade, bem casado e pai de família respeitado por todos, policial que ama sua farda e que se disponibilizou a ajudar o país nessa luta contra o sistema”.

TALITA ENGROSSA DISCURSO – Dayane também foi colocada novamente no centro da roda, dias após a Tribuna revelar que o PSL na Bahia está dividido diante da gestão dela. A deputada estadual Talita Oliveira (PSL) quebrou o silêncio e se manifestou sobre as recentes alegações da presidente do partido. Na semana passada, Dayane chegou a dizer que Talita só chegou à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia após uma articulação dela.

“Embora a deputada federal Dayane Pimentel tenha proposto a minha indicação à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia aos membros da diretoria do PSL-BA, todo o processo de articulação dentro da ALBA foi conduzido pelo bloco dos parlamentares de oposição, culminando com a escolha do meu nome por parte do deputado estadual Targino Machado (DEM), conforme este mesmo relatou ao jornal Tribuna da Bahia, na data de 15 de fevereiro de 2019”, destacou Talita, em nota. “Já que a deputada Dayane diz ter feito articulação com os parlamentares para me colocar na Mesa Diretora, será então que ela manteve conversas com os deputados de esquerda também?”, ironizou.

Talita também esclareceu que não “procedem as insinuações feitas pela deputada federal Dayane Pimentel de que esteja ambicionando cargos e influência nas Comissões Municipais do PSL-BA”. “A deputada deixa a entender no seu pronunciamento em vídeo que a minha procura para deliberar sobre assuntos pertinentes ao Partido Social Liberal na Bahia estaria relacionada a um suposto interesse pessoal em distribuir cargos aos meus apoiadores. Tal alegação é inverídica”, ressalta.

Dayane também não atendeu as ligações da Tribuna para comentar o caso. Ao site Bahia Notícias, ela disse que os atritos com aliados se tratam de “questões internas, altamente administráveis”. “Não existe esse atrito nas bases, nós temos aí quase 200 municípios já a ponto de serem efetivados e não existe isso. Essa ansiedade está partindo mais da deputada Talita [Oliveira] e do deputado [Capitão] Alden”, destacou.

Compartilhar