O município de Camaçari – a 45 quilômetros da capital baiana – é o único da Região Metropolitana de Salvador (RMS) com estrutura para atender, no sistema público municipal de saúde, as pessoas que contraíram o novo coronavírus. Das 13 cidades que compõem a RMS, apenas Camaçari e Salvador contam com leitos de UTI implantados para atender a demanda que aumentou nos meses de maio e junho. Com menos estrutura para lidar com o avanço da covid, os outros municípios precisam da estrutura de leitos-covid do governo do estado.

Em Camaçari, a prefeitura implantou duas unidades de saúde específicas para o tratamento das pessoas infectadas e que precisam de internação. O Centro Intensivo de Combate ao Coronavírus, inaugurado em 1º de maio, dispõe de 16 leitos de UTI para receber pacientes que precisam de um atendimento mais especializado. A unidade também conta com 5 leitos clínicos. O Centro de Enfrentamento ao Coronavírus começou a funcionar no dia 31 de maio e tem 20 leitos clínicos, além de uma sala de estabilização com respirador para pacientes que apresentem complicação.

Os munícipes contam ainda com o reforço de 10 leitos de UTI no Hospital Santa Helena, unidade particular que firmou contrato com a prefeitura para oferecer suporte em caso de superlotação nos leitos disponíveis nos centros implantados pelo governo.

O prefeito Elinaldo Araújo explica que os investimentos no combate à Covid-19 são importantes para evitar mortes por ocasião da doença, mas é preciso que a população tome todos os cuidados possíveis e atendam aos decretos que visam evitar o aumento de caos da doença. “Cada investimento que fazemos é pensando em salvar vidas, em diminuir o número de casos na cidade. A gente não esperava uma pandemia, mas entendemos que precisamos nos estruturar para enfrentar esse momento e conseguir achatar essa curva. Mas, ao mesmo tempo, é preciso que as pessoas colaborem e evitem ir pra rua. Sair só se for realmente necessário, sempre com máscara e adotando o cuidado de higienizar as mãos e praticar o distanciamento”, destacou o prefeito.

Mesmo tendo estrutura e usando pouco os leitos do governo do estado, a Secretaria de Saúde do município tem deixado claro que a taxa de ocupação dos leitos ainda está longe do ideal. “Estamos ainda em um momento de atenção, oscilando sempre entre oitenta e noventa por cento dos leitos ocupados, isso quando não atingimos 100%”, disse o secretário de Saúde, Luiz Duplat. Essa realidade na taxa de ocupação dos leitos foi o que levou o prefeito a manter o comércio fechado no município, apesar de ter saído na frente com a criação de um protocolo de retomada da economia, que estava prevista para o dia 1º de julho.

Diante do aumento de casos, Elinaldo mobilizou prefeitos da região metropolitana e realizou uma reunião para propôr um plano único de ações de combate ao coronavírus, que inclui a reabertura do comércio nas cidades vizinhas. “Não adianta a gente tomar todos os cuidados, manter o comércio fechado, fiscalizar e as outras cidades não seguirem a mesma orientação”, comentou o prefeito.

O governador Rui Costa, ao entender a importância da proposta do prefeito Elinaldo, convocou uma reunião com todos os prefeitos da RMS e decretou toque de recolher em 11 cidades para conter o avanço do coronavírus. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no último dia 3 de julho, mas só passou a valer a partir do dia 5. O toque de recolher restringe a permanência e o trânsito de qualquer pessoa em vias, equipamentos, locais e praças públicas, das 18h às 5h. O decreto tem validade até o dia 12 de julho.

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