O presidente Jair Bolsonaro voltou a subir o tom em sua live semanal, onde apresenta dados do governo e comenta outros assuntos. Na transmissão desta quinta (20), realizada da cidade de Imperatriz, no Maranhão, o presidente criticou os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), além de governadores e senadores integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. O presidente ainda disse que voltou a ter sintomas de infecção pelo coronavírus e tomou cloroquina sem consultar seu médico.

Alvo de polêmica com Bolsonaro no ano passado, o Guaraná Jesus, tradicional bebida do Maranhão, esteve em destaque na mesa do presidente durante a live. O ataque ao ex-presidente FHC foi feito ao comentar uma entrevista do tucano ao programa Conversa com Bial, da Globo. O ex-presidente disse que votaria em Lula no 2º turno contra Bolsonaro. O atual presidente lembrou que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu, no passado, uma fazenda da família de FHC e ironizou ao dizer que tinha vontade de financiar uma nova invasão.

“O campo não podia mais continuar em guerra como vimos até antes do governo Temer. O próprio PT, no governo Lula e Dilma, foram recordistas em invasões de terra. Até no governo FHC também existia isso. Até teve uma passagem bastante notória naquele momento, que invadiram a fazenda do Fernando Henrique Cardoso. Esse FHC que está dizendo agora que vai votar no Lula. Olha a cara de pau. Esse cara de pau FHC dizendo que agora vai votar no Lula. Dá uma vontade de soltar um dinheirinho para o MST da região da fazenda do FHC para o pessoal invadir de novo lá, quem sabe ele aprenda”, disse Bolsonaro.​

Ao longo da transmissão, o presidente distribuiu ataques. Ele chamou Lula de “ladrão de nove dedos” e afirmou: “onde tem PT, tem roubo”. Ele ainda xingou o governador do Maranhão, Flávio Dino de “comunista gordo” e se referiu aos senadores Renan Calheiros, Humberto Costa, Eduardo Braga e Omar Aziz, todos integrantes da CPI como “uma verdadeira súcia”. A palavra significa uma reunião de desocupados, ou vagabundos.

Bolsonaro ainda disse que nos últimos dias teve sintomas de covid-19, e voltou a tomar cloroquina, mas sem citar o nome do medicamento. Ele disse que apesar dos sintomas fez exames que apontaram que não havia contaminação.

“Tomei aquele negócio para combater a malária e, no dia seguinte, estava bom. E vou dizer mais: há poucos dias, estava me sentindo mal e, antes mesmo de procurar o médico, olha só que exemplo que eu estou dando, eu tomei depois aquele remédio, que estava com sintoma. Tomei, fiz exame, não estava (infectado). Mas, por precaução, tomei. Qual o problema? Eu vou esperar sentir falta de ar para procurar um hospital?”, disse Bolsonaro.

Elogios a Pazuello e Salles

Os elogios da noite foram para o general Pazuello, que deu depoimento à CPI, e ao ministro do meio ambiente Ricardo Salles, alvo de operação da Polícia Federal nesta semana.

“Pelo que fiquei sabendo agora, o Pazuello foi muito bem. Mas a CPI continua sendo um vexame nacional”, disse ao falar sobre o ex-ministro da Saúde. Já sobre Salles, o presidente criticou o Ministério Público. No entanto, o órgão não participou da operação contra o ministro. “O ministro Ricardo Salles, um excepcional ministro, mas as dificuldades que ele tem junto a setores aparelhados do Ministério Público, os xiitas ambientais, as dificuldades são enormes”.

Compartilhar