Por InfoMoney

A semana começou com as bolsas internacionais em alta, em meio a um maior otimismo causado por novos tratamentos para a Covid-19 nos Estados Unidos. Os futuros de Nova York e as bolsas europeias operam em alta nesta manhã.

No Brasil, todas as atenções estarão voltadas para o anúncio de um megapacote de medidas sociais e econômicas, que deve ser feito amanhã pelo governo federal. O evento está sendo chamado pelo governo de “Big Bang Day”, e tem como objetivo recuperar a economia e abrir caminho para as eleições de 2022.

São esperadas medidas para geração de empregos, novos marcos legais, obras públicas, atração de investimentos privados, privatizações e ações para corte de gastos.

No noticiário corporativo, o mercado aguarda os resultados do segundo trimestre da Ser Educacional e da Lojas Marisa. Além disso, será definido nesta segunda-feira o preço por ação da Rumo, que prepara uma oferta primária de ações.

Também são esperados para esta semana novos lances na disputa pela Linx e andamentos sobre uma possível combinação entre Tecnisa e Gafisa.

1.Bolsas mundiais

As bolsas mundiais começaram a semana com um tom positivo, em meio a informações de que serão adotados novos tratamentos para a Covid-19 nos Estados Unidos. Neste final de semana, o governo norte-americano autorizou o uso de plasma no tratamento de pacientes com a doença no país.

Além disso, o governo de Donald Trump está considerando acelerar os testes de uma vacina experimental desenvolvida no Reino Unido para ser usada antes das eleições presidenciais, segundo o Financial Times.

A menor tensão entre Estados Unidos e China ajuda a impulsionar os mercados. Segundo a imprensa, a equipe do presidente Donald Trump tem assegurado as empresas locais de que elas ainda podem fazer negócios com o aplicativo de mensagens WeChat na China.

Os índices das bolsas europeias sobem e os futuros de Nova York operam em alta.

Os futuros da Dow Jones sobem 0,81%, e os do S&P 500 registram alta de 0,70%. Na semana passada, o rali das empresas de tecnologia levou o S&P 500 para níveis recordes. O índice teve sua quarta semana positiva consecutiva e fechou na sexta-feira em um novo recorde.

Na Europa, os mercados também avançam. O Euro Stoxx sobe 1,76%. O FTSE 100, de Londres, avança 1,87%, e o CAC, de Paris, sobe 2,26%.

Na Ásia, o mercado também operou em alta, enquanto os investidores seguem monitorando o desenvolvimento da pandemia. Na China, o Shangai SE subiu 0,15%, enquanto no Japão, o índice Nikkei 225 subiu 0,28%.

Na Coreia do Sul, o avanço do índice Kospi foi de 1,10%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,74%.

O número de mortes em todo o mundo pelo novo coronavírus ultrapassou 800 mil, segundo relatório divulgado pela Universidade Johns Hopkins (EUA) neste sábado. O total de casos passou de 23 milhões.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h04 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,70%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,93%
*Dow Jones Futuro (EUA),+0,81%

Europa

*Dax (Alemanha), +2,36%
*FTSE 100 (Reino Unido), +1,90%
*CAC 40 (França), +2,29%
*FTSE MIB (Itália), +2,20%

Ásia

*Nikkei 225 (Japão), +0,28% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +1,74% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,15% (fechado)

*Petróleo WTI, +0,76%, a US$ 42,66 o barril
*Petróleo Brent, +0,77%, a US$ 44,69 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,83%, cotados a 832.500 iuanes, equivalente hoje a US$ 120,43 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,9124

*Bitcoin, US$ 11.770, +1,44%

2. Agenda

Destaque hoje é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Os economistas revisaram suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 de uma queda de 5,52% para uma levemente menor, de 5,46%.

Já para 2021 a expectativa mediana se manteve em crescimento de 3,5% da economia brasileira.  Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) as estimativas foram elevadas de 1,67% em 2020 para 1,71%. Para 2021, a expectativa continuou em 3,00%.  As projeções para o dólar não se alteraram e ficaram em R$ 5,20 até o final de 2020 e em R$ 5,00 para 2021.  Por fim, as expectativas para a taxa básica de juros, Selic, ficaram estáveis em 2,00% ao ano para 2020, mas foram elevadas de 2,75% para 3% para 2021.

Hoje, a FGV vai divulgar o Índice de Confiança do Consumidor no Brasil de agosto, às 8h. Também está prevista a Sondagem da Indústria da Construção de julho, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para as 15h, é aguardada a Balança comercial semanal do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

No exterior, o Federal Reserve de Chicago divulga o índice nacional de atividade às 9h30.

3. De olho no Big Bang

A semana começa com o mercado de olho no megapacote de medidas sociais e econômicas que deve ser lançado amanhã pelo governo federal. O evento de terça-feira está sendo chamado de “Big Bang Day” pelo governo.

Em um só dia, serão lançados o programa chamado Renda Brasil, medidas para geração de empregos, novos marcos legais, obras públicas, atração de investimentos privados, privatizações e ações para corte de gastos.

De acordo com O Estado de S.Paulo, o Pró-Brasil foi amplamente reformulado, e deve focar em marcos regulatórios que já estão no Congresso – gás natural, lei da falência e navegação na costa brasileira – para ampliar a participação da iniciativa privada e liberar R$ 4 bilhões do Orçamento neste ano para obras.

Para assegurar a manutenção do teto de gastos, o pacote vai propor uma série de medidas que podem abrir espaço entre R$ 20 bilhões e R$ 70 bilhões. Será enviada uma lista de programas considerados ineficientes que poderão ser cortados e sugestões para que os congressistas retirem “carimbos” do Orçamento e removam a necessidade atual de conceder reajustes automaticamente.

O Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família, vai aumentar o número de beneficiários de 14 milhões para mais de 20 milhões, além de elevar o montante pago aos beneficiários. Para o governo conseguir pagar a conta, devem ser extintos outros programas, como o Abono Salarial, o Salário-Família e o Seguro Defeso, de acordo com o jornal O Globo.

Outros destaques esperados são a desoneração da folha de pagamentos, avanços em privatizações e a reformulação do Minha Casa, Minha Vida, chamado de Casa Verde Amarela. Concessões e obras públicas também devem fazer parte do pacote. A redução do IPI sobre eletrodomésticos e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (para R$ 3 mil) também são esperadas.

A equipe econômica também quer lançar um novo imposto, mas este pode não ser incluído no pacote devido a resistências na área política do governo. Este imposto seria nos moldes da antiga CPMF.

4. Reforma tributária

A estratégia do governo é buscar um acordo para votação da reforma tributária até outubro, buscando uma fusão integral dos tributos de consumo. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o secretário da Receita Federal, José Tostes, disse que uma fusão de todos os impostos – PIS/Cofins (governo federal), ICMS (Estados) e ISS (municípios) – é a melhor solução.

O secretário propõe que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo previsto na proposta do governo que reúne o PIS e Cofins, entre em vigor antes para a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) amplo. Segundo ele, as etapas da reforma deverão ser decididas nas próximas semanas.

No front político, declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro foram destaque no domingo e repercutem nesta manhã. Após ser questionado sobre depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente ameaçou de agressão um jornalista do jornal O Globo.

A pergunta feita pelo jornalista (“Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”) passou a ser compartilhada por jornalistas, artistas, políticos e outros usuários do Twitter.

5. Radar corporativo

Na esfera corporativa, o mercado aguarda os resultados do segundo trimestre da Ser Educacional e da Lojas Marisa. Além disso, será definido nesta segunda-feira o preço por ação da Rumo, que prepara uma oferta primária de ações.

Também são esperados para esta semana novos lances na disputa pela Linx, enquanto o conselho de administração da Tecnisa deve avaliar a possível combinação entre Gafisa e Tecnisa. No último dia 19, a Tecnisa informou ter recebido, de forma inesperada, uma proposta do Bergamo Fundo para combinação de negócios com a Gafisa (GFSA3).

Ainda no radar corporativo, a Petrobras assinou a venda de 8 campos na Bahia por US$ 94,2 milhões, divulgou teaser para venda de ativos no Espírito Santo, enquanto a Azul teve o rating rebaixado pela agência de classificação de risco Fitch de B- para CCC.

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