Por Equipe InfoMoney

As bolsas mundiais operam no território negativo nesta manhã, pressionadas por acusações contra bancos globais e por notícias negativas sobre a pandemia do coronavírus. As bolsas asiáticas fecharam em queda, enquanto as principais bolsas europeias e os índices futuros de Nova York estão em baixa.

Segundo reportagem publicada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), documentos do governo dos Estados Unidos mostram que bancos desafiaram leis contra a lavagem de dinheiro, transferindo grandes quantias de origem ilícita para contas obscuras e redes criminosas. A investigação revelou US$ 2 trilhões em operações suspeitas envolvendo bancos entre 1999 e 2017.

No Brasil, segue o desconforto com o cenário fiscal no país em meio a dúvidas crescentes sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública.

Ainda no radar, membros do governo debateram neste final de semana o Pacto Federativo com o senador Márcio Bittar (MDB-AC). Segundo a Folha de S.Paulo, a proposta reduz gastos obrigatórios e abre caminho para novas despesas a partir do ano que vem. Os cálculos atualizados sinalizam uma economia maior que R$ 30 bilhões em 2021, enquanto a versão mais enxuta economizaria cerca de R$ 20 bilhões.

No noticiário corporativo, um dos destaques é a estreia da construtora e incorporadora Cury na bolsa de valores. Também chamam atenção compra de uma faculdade pela Ser Educacional no Ceará, por R$ 24 milhões, e a oferta de ações da Suzano pelo BNDESPar. Esta segunda-feira também marca o vencimento de opções sobre ações, o que pode adicionar volatilidade ao Ibovespa.

1. Bolsas mundiais
As bolsas mundiais operam em queda nesta manhã, em meio a acusações contra grandes bancos e o número crescente de casos de coronavírus. As bolsas europeias e asiáticas estão em baixa, assim como os índices futuros de Nova York.

Na Europa, os índices das bolsas caem, pressionados por ações dos setores de bancos e de turismo. O índice Euro Stoxx cai 2,66%. O FTSE MIB, da Itália, recua 3,24%, enquanto o CAC, de Paris, cai 3,02%, e o FTSE 100, de Londres, perde 3,35%. Ao mesmo tempo, o DAX, da Alemanha, cai 3,01%.

Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street também registram expressiva queda. Os futuros do S&P 500 estão em queda de 1,88%, enquanto os do Dow Jones recuam 0,68%. Os futuros da Nasdaq perdem 1,85%.

Além de acompanhar os novos casos de coronavírus, os investidores ficarão atentos às ações dos bancos, depois que grandes instituições financeiras foram acusadas de lidar com recursos ilícitos.

Documentos secretos do governo dos EUA revelam que o JP Morgan Chase, o HSBC e outros grandes bancos desafiaram repressões contra a lavagem de dinheiro, transferindo grandes quantias de origem ilícita para contas obscuras e redes criminosas que “espalharam o caos e minaram a democracia em todo o mundo”, aponta megainvestigação internacional que envolveu mais de 400 jornalistas, de 88 países e 110 meios de comunicação, incluindo do Brasil. As infromações estão na página do Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) – Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde declarou na sexta-feira que o coronavírus persiste, e ainda mata 50 mil pessoas por semana. O mercado também acompanha as tratativas em Washington para o lançamento de um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos.

Na Ásia, os mercados fecharam em queda. Na China, o Shangai SE recuou 0,63%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2,06%. O índice Kospi, da Coreia do Sul, fechou em baixa de 0,95%.

As commodities também mostram queda nesta segunda-feira, com os futuros do minério de ferro recuando 2,88% na bolsa de Dalian, a 776 mil iuanes. Já o petróleo tipo WTI cai 2,21%, enquanto o Brent recua 2,06%.

*Veja o desempenho dos mercados, às 7h09 (horário de Brasília):

Nova York

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,88%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,85%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,68%

Europa

*Dax (Alemanha), -2,86%
*FTSE 100 (Reino Unido), -3,27%
*CAC 40 (França), -2,88%
*FTSE MIB (Itália), -3,17%

Ásia

*Hang Seng Index (Hong Kong), -2,06% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,63% (fechado)

*Petróleo WTI, -2,21%, a US$ 40,20 o barril
*Petróleo Brent, -1,92%, a US$ 42,32 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 2,88%, cotados a 766.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 114,53 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,77521

*Bitcoin, US$ 10.765,93 -1,98%

2. Agenda
Os investidores acompanharam hoje a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, com o mercado prevendo que o PIB brasileiro caia 5,05% em 2020, ante expectativa de 5,11% na semana passada. Já a projeção para a inflação, medida pelo indicador do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 1,94% para 1,99% neste ano. Para o ano que vem, a projeção foi mantida em 3,01%.

Destaque ainda para a balança comercial semanal, que será conhecida às 15h.

3. Pacto Federativo
No mercado nacional, segue o desconforto com o cenário fiscal no país em meio a dúvidas crescentes sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública e o desconforto com o comportamento dos preços, em um momento no que a economia ainda sofre com os efeitos da pandemia.

Vale destacar ainda que, neste final de semana, membros do governo debateram o Pacto Federativo com o senador Márcio Bittar (MDB-AC),que é relator do Orçamento de 2021 e do Pacto Federativo. Segundo a Folha de S.Paulo, a proposta reduz gastos obrigatórios e abre caminho para novas despesas a partir do ano que vem.

De acordo com a reportagem, os cálculos atualizados sinalizam uma economia maior que R$ 30 bilhões em 2021, enquanto a versão mais enxuta economizaria cerca de R$ 20 bilhões. Os números dependem de aprovação do presidente Jair Bolsonaro.

Está sendo estudada a possibilidade de o corte de despesas ser ocupado por um novo programa social, embora o presidente tenha afirmado na semana passada que o Renda Brasil está fora de cogitação.

Segundo o jornal, aliados do presidente defendem que seja criada uma iniciativa para baixa renda, mesmo que seja usado outro nome. O relatório do Bittar sobre a PEC do Pacto Federativo está quase pronto, e o texto agora está sendo analisado com membros do Executivo.

Além disso, foi noticiado que deputados pretendem cortar benefícios de juízes, procuradores e promotores na reforma administrativa. De acordo com o Estado de S.Paulo, devem ser incluídas na PEC emendas que limitam as férias de todos os agentes públicos a 30 dias por ano, inclusive para juízes, além do fim de privilégios, como aposentadoria compulsória como punição para quem já está trabalhando.

Ainda sobre a reforma administrativa, existe a expectativa de que deve ser criado um órgão independente para gestão do serviço público federal, que funcionaria como uma agência de recursos humanos. Segundo a Folha, a agência seria responsável pela criação de critérios para ocupação de cargos comissionados, mapeamento para realocar pessoas e avaliação de desempenho. Essa última pode resultar na demissão de servidores, inclusive aqueles que já estão no cargo atualmente.

Ao mesmo tempo, o governo está preparando um decreto para regulamentar novas concessões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, a partir de 2021. Segundo o Estado de S. Paulo, a mudança vai permitir a inclusão de quase 500 mil pessoas no BPC.

O custo adicional, de R$ 5,8 bilhões, será compensado com a redução de custos com a judicialização e com medidas de combate às fraudes, que podem poupar até R$ 10 bilhões. Ou seja, o efeito líquido ainda seria uma economia de R$ 4,2 bilhões.

4. Substituição de Waldery Rodrigues
Outro destaque é a informação de que o Ministério da Economia está analisando três nomes para ocupar o cargo de Waldery Rodrigues, secretário especial da Fazenda. Segundo a Folha de S.Paulo, são eles Esteves Colnago e Jeferson Bittencourt, assessores especiais do ministro da Economia Paulo Guedes, e Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional.

A troca deve levar algum tempo para ocorrer porque ele é tido como um nome relevante no ministério, mas todos os nomes cogitados são bem avaliados pelo ministro, segundo o jornal.

Ainda no radar, o ministro da Economia Paulo Guedes foi condenado a pagar R$ 50 mil em indenizações ao Sindicato dos Policiais Federais da Bahia (Sindipol-BA) por comparar servidores públicos a ‘parasitas’ em evento em fevereiro deste ano. A Advocacia-Geral da União anunciou que irá recorrer da sentença, proferida pela 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia (SJBA).

No noticiário internacional, chama atenção investigação que revelou US$ 2 trilhões em operações suspeitas envolvendo bancos entre 1999 e 2017. Segundo reportagem publicada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), documentos do governo dos Estados Unidos mostram que bancos desafiaram leis contra a lavagem de dinheiro, transferindo grandes quantias de origem ilícita para contas obscuras e redes criminosas.

Segundo a reportagem, cinco bancos – JP Morgan, HSBC, Standard Chartered Bank, Deutsche Bank e Bank of New York Mellon continuaram a lucrar com operações que favoreceram até mesmo terroristas, mesmo depois de serem multadas por autoridades dos Estados Unidos.

Ainda no front internacional, chamou atenção no sábado a aprovação do acordo entre a Oracle e a Tik Tok pelo presidente Donald Trump. O acordo pretende evitar o banimento do aplicativo em solo americano.

5. Radar Corporativo
Na esfera corporativo, os investidores acompanham hoje a estreia da construtora e incorporadora Cury na bolsa de valores. A empresa é subsidiária da Cyrela. O mercado também reagirá à compra de uma faculdade pela Ser Educacional no Ceará, por R$ 24 milhões.

Além disso, o Banco do Brasil divulgou planos de que pretende estar entre os três maiores bancos no mercado de capitais do Brasil em até quatro anos, enquanto a Latam recebeu aprovação do Tribunal do Distrito Sul de Nova York para a proposta de financiamento modificada, dentro do processo de recuperação judicial.

Também na sexta-feira, a Suzano informou que o BNDES Participações está realizando uma oferta pública de distribuição secundária de ações, de emissão da Suzano e de titularidade da BNDESPar.

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