Evitando nos últimos meses falar sobre política por causa do cargo que exerce como presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani, em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, revelou que votou, no primeiro turno, no ex-ministro Ciro Gomes (PDT), e em Fernando Haddad (PT), na segunda etapa da eleição presidencial de 2018. O dirigente esportivo disse, ainda, que não se “surpreende” com o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem sido marcado por polêmicas e crises internas. “A minha visão, até agora, é que ele (Bolsonaro) não me surpreende. Não tem nada diferente do que ele propôs na campanha. O projeto apresentado pelo governo é um projeto que a sociedade vai julgar daqui a três anos. Não votei nele. Votei em Haddad. No primeiro turno, votei em Ciro. E, no segundo turno, votei em Haddad. Não votei nele (Bolsonaro). Não me decepcionou”, afirmou.

Para Bellintani, o PT cometeu erros, mas “nunca” vai se apagar os “avanços e debates sociais importantíssimos” conquistados durante a gestão do partido. “(O PT) é um partido que tem uma história importante recente, inclusive, de transformação social. Cometeu erros, como vários partidos. Apenas os erros do PT tendem a aparecer mais. É um partido que sempre assumiu compromissos sociais de destaque. É fundamental para qualquer partido brasileiro ter a visão de que precisa melhorar. Acho que o PT é um partido que trouxe avanços e debates sociais importantíssimos. E ninguém vai tirar nunca. Agora, assim como vários partidos, também cometeu erros”, ressaltou.

O mandatário do Esquadrão de Aço ressaltou que tem formação de esquerda, mas tem críticas a este campo político. “Sempre (tem críticas). Eu sou um cara que me considero com formação de esquerda por causa do meu perfil humanista. E sempre preocupado com temas comuns à esquerda, principalmente, ao não conservadorismo de costumes. Tenho visão mais ampla de costumes. Tenho formação humanista, de interesse social. Mas tenho visão pragmática de gestão pública, de gestão no geral, que, às vezes, não são identificadas como de esquerda ou de direita”, declarou.

Na visão dele, a caricatura sobre ser de esquerda ou de direita traz “prejuízos”. “Acho que é uma caricatura que todo mundo tem que fazer uma autoanálise. Tem temas que são identificados como de esquerda, mas são temas que não fazem mais sentido na minha opinião. E tem temas que são identificados com a direita que também não fazem o menor sentido. Em geral, as caracterizações muito fechadas trazem prejuízos. É preciso abrir a mente”, pontuou. Para ele, é possível “convergência” entre os campos políticos, pois “ninguém está todo certo nem todo errado”. “Ambos os lados têm contribuições para a sociedade”, frisou.

Cotado para ser candidato a prefeito em 2020, quando acontecerá a sucessão de ACM Neto (DEM), Bellintani (hoje sem partido) reiterou que o foco no momento é no Esporte Clube Bahia. Nos bastidores, o comentário é de que o dirigente esportivo deixará o clube em dezembro deste ano, quando encerrarão os campeonatos, para ser candidato ao Palácio Thomé de Souza. Ele nega. “Não (tem tempo para definir se serei postulante) porque isso não está no meu foco. Se eu falar que tenho prazo, é sinal que isso está no meu foco. E eu não estou pensando nisso. O tempo da política é um. O meu tempo é outro. Se isso acontecer em algum momento, vai ser ótimo. Mas o meu foco hoje é o Bahia”, afirmou, ao destacar que não tem tempo para “pensar em política por enquanto”.

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