O Banco Central Europeu lançou no sábado (20) uma pequena tábua de salvação para o conturbado sistema bancário da Grécia, já que a corrida aos credores do país acelerou antes da cúpula crucial de líderes entre Atenas e seus credores, marcada para segunda-feira (22).

Poupadores tiraram ontem mais de 1,5 bilhão de euros que estavam depositados, de acordo com duas fontes do sistema bancário, a maior retirada em um dia desde que o governo de esquerda tomou posse, em janeiro.

Cerca de 5 bilhões de euros foram tirados do sistema esta semana e banqueiros temem que as retiradas acelerem na segunda-feira, quando os bancos reabrirem.

O Banco Central Europeu concordou em aumentar a quantia de assistência de liquidez de emergência à disposição dos bancos gregos em cerca de 1,75 bilhão de euros, para 85,9 bilhões, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, para permitir que os credores paguem os depositantes.

O Banco da Grécia tinha originalmente solicitado um aumento de 3,5 bilhões de euros que os funcionários acreditavam ser suficiente até a próxima reunião do Conselho do BCE, agendada para quarta-feira.

No entanto, crescentes receios na instituição de que ela esteja bombeando dinheiro em um sistema que corre o risco de se tornar insolvente levou à decisão de conceder apenas apoio suficiente para durar até o fim de segunda-feira.

GRÉCIA LUTA PARA DESBLOQUEAR EMPRÉSTIMO

Chefes de governo da zona do euro vão se reunir na segunda em uma última tentativa para chegar a um acordo para desbloquear 7,2 bilhões em fundos de ajuda, o que Atenas tem de pagar de volta ao Fundo Monetário Internacional até o final de junho ou enfrentar o calote.

Neste domingo (21), o governo grego propôs restringir a aposentadoria e aumentar impostos, em uma tentativa de costurar um acordo.

A reunião de segunda já havia sido convocada após os ministros das finanças da zona do euro não conseguirem chegar a um acordo na noite de quinta-feira passada.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou: “Estamos perto do momento em que o governo grego terá que escolher entre aceitar o que eu acredito ser uma boa oferta de apoio continuado ou ir em direção à falência.”

O Banco Central da Grécia considera convocar o governo do país a legislar sobre controles de capital se um acordo não for alcançado na segunda, de acordo com pessoas informadas sobre o planejamento da zona do euro.

Os bancos centrais da zona do euro querem manter a pressão sobre os políticos para chegar a um acordo em vez de ter de forçar Atenas a recorrer a controles de capital ao reduzir o apoio do BCE.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tem procurado muito negociar um acordo com seus colegas líderes, e alguns funcionários da zona do euro disseram que permanecem esperançosos de que Tsipras —que já disse em privado a líderes da UE que quer chegar a um acordo— concorde com os termos dos credores na segunda.

“Estamos em meio a uma grande turbulência”, disse ele em um discurso em São Petersburgo. “Mas nós somos uma nação de marinheiros, que sabem como lidar com tempestades e não têm medo de navegar para oceanos distantes… em busca de um porto seguro.”

Ações e papéis gregos estabilizaram-se com as esperanças de um acordo de última hora. O índice do mercado de ações de Atenas subiu 0,6% ontem, enquanto o rendimento de referência dos títulos de dez anos do governo grego era de 14 pontos-base para baixo.

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