Por Fred Sabino

Quinze anos atrás, no dia 3 de abril de 2005, foi disputada a corrida de Fórmula 1 com temperatura mais elevada de todos os tempos. Os compêndios da categoria registram: com 42,6 graus de temperatura ambiente e 56 graus no asfalto, Fernando Alonso conquistou a vitória seguido por Jarno Trulli e Kimi Raikkonen.

Fernando Alonso comemora vitória no GP do Barein de 2005 — Foto: Getty Images

Fernando Alonso comemora vitória no GP do Barein de 2005 — Foto: Getty Images

Aquele vinha sendo um campeonato dominado pela Renault. Nas duas primeiras corridas, duas vitórias da equipe francesa, uma com Giancarlo Fisichella (Austrália) e uma com Alonso (Malásia). Esperava-se, portanto, que a Renault voltasse a ser competitiva. Na McLaren, o desfalque era Juan Pablo Montoya, com o ombro fraturado “num jogo de tênis”. Há quem garanta que o colombiano se machucou numa queda de moto. Bem, digamos que ele tenha jogado tênis de moto…

Então hexacampeã mundial de construtores, a Ferrari começara a temporada em desvantagem. Primeiro, porque teve de correr as duas primeiras provas com o modelo F2004 revisado enquanto o F2005 não estava pronto. Segundo, e principal, os pneus Bridgestone estavam sendo superados pelos Michelin, numa temporada em que as trocas de pneus estavam proibidas durante as corridas.

Ferrari correu com bico preto como luto pela morte do Papa João Paulo II — Foto: Getty Images

Ferrari correu com bico preto como luto pela morte do Papa João Paulo II — Foto: Getty Images

No Barein, a Ferrari, enfim, estreou o F2005. Até que o novo carro demonstrou velocidade, tanto que Michael Schumacher obteve o segundo lugar no grid, atrás do pole Alonso. Mas o novo modelo não era 100% confiável, tanto que Rubens Barrichello perdeu dez posições no grid por motor trocado. A equipe ainda correu de luto devido à morte do Papa João Paulo II e pintou os bicos dos carros de preto.

No domingo, sob calor violentíssimo, lá foram os 20 intrépidos pilotos para o sufocante GP do Barein. Alonso manteve a ponta, com Schumacher dando caça a ele. O destaque foi Barrichello, que ganhou dez posições na primeira volta. Por 12 voltas, Schumi não deu paz a Alonso, mas a nova Ferrari voltou a falhar, e um problema hidráulico causou o primeiro abandono do alemão por quebra desde o GP da Alemanha de 2001.

Schumacher perseguiu Alonso no começo do GP do Barein de 2005, mas abandonou — Foto: Getty Images

Schumacher perseguiu Alonso no começo do GP do Barein de 2005, mas abandonou — Foto: Getty Images

A primeira rodada de pit stops se deu com Alonso à frente de Jarno Trulli (Toyota) e Mark Webber (Williams). Em excelente corrida, Barrichello chegou a andar em quarto antes do primeiro reabastecimento. Conforme os pit stops aconteceram, o espanhol retomou o primeiro lugar bastante à frente do italiano, com Kimi Raikkonen fazendo ótima progressão de nono na largada até terceiro.

Em sua primeira corrida pela McLaren, Pedro de la Rosa também se apresentou com bastante correção, tanto que fez a melhor volta da prova. O espanhol, que largou em oitavo, também foi ganhando posições e chegou a andar em terceiro. Caiu para sexto após o último pit stop e ainda passou Webber para ficar em quinto.

Pedro de la Rosa substituiu Juan Pablo Montoya e fez a melhor volta no Barein, em 2005 — Foto: Getty Images

Pedro de la Rosa substituiu Juan Pablo Montoya e fez a melhor volta no Barein, em 2005 — Foto: Getty Images

Quem sofreu um duro castigo nas voltas finais foi Barrichello. Após alcançar o quinto lugar, o brasileiro viu todo o trabalho ir por água abaixo com o absurdo desgaste dos pneus Bridgestone. Volta a volta, Rubinho foi perdendo posições até acabar em nono, fora da zona de pontuação. Ainda assim, o piloto da Ferrari foi o mais bem classificado com os pneus do fabricante japonês – além da Ferrari, os carros de Minardi e Jordan eram clientes da Bridgestone.

Com uma tranquila vantagem de mais de dez segundos sobre Trulli, Alonso conseguiu a segunda vitória consecutiva, o que lhe deixou sossegado também na ponta da tabela, já que seu companheiro Fisichella abandonou. O espanhol passou a somar 26 pontos, dez a mais do que Trulli e 16 a mais do que Fisichella, o terceiro colocado no campeonato.

Trulli, Alonso e Raikkonen no pódio do GP do Barein de 2005 — Foto: Getty Images

Trulli, Alonso e Raikkonen no pódio do GP do Barein de 2005 — Foto: Getty Images

Após a prova, os pilotos estavam exaustos devido ao calor absurdo. Antes, o recorde de corrida mais quente de todos os tempos pertencia a três eventos: Argentina-1955, Dallas-1984 e Detroit-1985, todos com 40 graus registrados. Depois do GP do Barein de 2005, nenhuma outra corrida superou os 42,6 graus aferidos.

– Provavelmente foi a corrida mais quente que eu disputei na minha vida – sentenciou Alonso, que no fim do ano conquistaria seu primeiro título mundial de Fórmula 1.

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