O Banco Central espera uma retração de 1,1% da economia brasileira em 2015. Há três meses, a instituição projetava queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,5%.

A estimativa de retração divulgada no Orçamento do ano é de 1,2%. A projeção do mercado pela pesquisa Focus é de queda de 1,45%.

A instituição também elevou a projeção de inflação medida pelo IPCA (índice de preços ao consumidor) para o ano de 7,9% para 9,0%, maior valor desde 2003 (9,3%), acima do teto da meta, de 6,5%.

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Para 2016, a previsão passou de 4,9% para 4,8%. Em junho de 2017, segundo o BC, a inflação ao centro da meta de 4,5%. O objetivo da instituição é alcançar esse valor em dezembro do próximo ano.

As estimativas consideram a taxa básica de juros atual, de 13,75% ao ano, e um dólar cotado a R$ 3,10.

Os dados fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação do BC, divulgado nesta quarta-feira (24).

A instituição tem sinalizado que continuará a subir a taxa básica de juros até que sua projeção para o IPCA de 2016 esteja em 4,5%, que é o centro da meta de inflação.

A meta tem um intervalo de tolerância que vai até 6,5%. Quando esse valor é superado, o BC precisa divulgar uma carta aberta ao Ministério da Fazenda para explicar o motivo de não ter cumprido o objetivo fixado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), formado por BC, Fazenda e Ministério do Planejamento.

A chance de estouro da meta em 2015, segundo o BC, é de cerca de 99%.

O BC também projetou a inflação utilizando as expectativas do mercado para juros e câmbio. As previsões dos analistas são de um dólar mais caro ao longo do período e de uma taxa básica que chegaria a 14% ao ano no fim de 2015, para depois cair para 12% em 2016.

Nesse caso, a inflação ficaria em 9,1% no fim de 2015, 5,1% em dezembro de 2016 e 4,8% em junho de 2017, segundo cálculo do BC.

Infográfico Projeções para 2015 – Crédito: Editoria de Arte/Folhapress

DESEMPREGO

Apesar dos dados recentes que mostram aumento do desemprego e queda na renda, o BC afirma que ainda prevalece risco “significativo” de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a inflação.

“Moderação salarial constitui elemento-chave para a obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços”, diz o BC no relatório. “A dinâmica salarial ainda permanece originando pressões inflacionárias de custos.”

Segundo o BC, depois de um período necessário de ajustes, o ritmo de atividade tende a se intensificar, na medida em que a confiança de firmas e famílias se fortalecer.

Esses ajustes, entre eles a alta dos juros, são necessários para que “as taxas de crescimento do PIB potencial e efetivo retomem patamares mais elevados”.

O BC diz ainda que aumentou a possibilidade de queda da inflação, hoje em 8,47%, para 4,5% no final de 2016. “Contudo, os avanços alcançados no combate à inflação (…) ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”, diz a instituição indicando que haverá novos aumentos de juros.

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