Queda de preço de minério de ferro e vendas menores de carro influenciam.
Na parcial do ano, déficit somou US$ 1,87 bilhão e teve pequena melhora.

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A balança comercial brasileira teve em outubro o pior resultado para o mês desde 1998 – ou seja, em 16 anos. Segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) nesta segunda-feira (3), as importações superaram as exportações em US$ 1,17 bilhão no mês passado.

Exportações tiveram queda de 19,7% no mês, mostra MDIC

De acordo com dados oficiais, as vendas ao exterior somaram US$ 18,33 bilhões, e, com isso, tiveram uma queda de 19,7% sobre outubro de 2013. Todas as categorias de produtos tiveram retração de exportações nessa comparação. As vendas de produtos básicos recuaram 15,4%; os manufaturados registraram queda de 30,3%; e as exportações externas de semimanufaturados caíram 1%.

Ao mesmo tempo, as importações somaram US$ 19,5 bilhões em outubro deste ano, com queda de 15,4% sobre o mesmo mês do ano passado. No mês passado, recuaram as importações de combustíveis e lubrificantes (-36,2%), de bens de consumo (-14%), de matérias-primas e intermediários (-9,3%) e de bens de capital (-12%).

De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, o resultado da balança comercial em outubro deste ano está relacionado com a forte queda do preço do minério de ferro, de 40% sobre o mesmo mês do ano passado (que levou a China a perder, em outubro, o posto de principal comprador de produtos brasileiros para os Estados Unidos), e, também, com o recuo das vendas externas de automóveis – principalmente por conta das menores compras realizadas pela Argentina, que atravessa grave crise econômica.

Por outro lado, o governo informou que as vendas externas de carne suína bateram recorde para todos os meses em outubro deste ano, quando foram exportados US$ 183 milhões deste produto, principalmente para a Rússia – que proibiu importação de alimentos e produtos agrícolas da União Europeia e dos Estados Unidos – Hong Kong e Venezuela.

Acumulado do ano também está no vermelho
No acumulado dos dez primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, foi contabilizado um déficit de US$ 1,87 bilhão na balança comercial brasileira. Mesmo assim, o saldo deste ano teve leve melhora frente ao mesmo período do ano passado, quando foi registrado um déficit (importações maiores do que exportações) de US$ 1,99 bilhão.

No acumulado de 2014, as exportações somaram US$ 191,96 bilhões, com média diária de US$ 909 milhões (queda de 3,7% sobre o mesmo período do ano passado). As importações, por sua vez, totalizaram US$ 193,83 bilhões, ou US$ 918 milhões por dia útil, uma queda de 3,7% em relação ao mesmo período de 2013.

“Continuamos trabalhando com um cenário de resultado positivo no final do ano [2014 fechado]. Precisamos aguardar o mês de novembro para confirmar essa expectativa. Dezembro é tradicionalmente superavitário. Do lado das exportações, costuma ocorrer maior esforço exportador para cumprimento de contratos e redução de estoques [em dezembro]”, avaliou Godinho, do MDIC.

Resultado de 2013 e previsões para este ano
Em 2013, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 2,56 bilhões, o pior resultado para um ano fechado desde 2000, quando houve déficit de US$ 731 milhões.

De acordo com o governo, a piora do resultado comercial do ano passado aconteceu, principalmente, por conta do serviço de manutenção de plataformas de petróleo no Brasil, que resultou na queda da produção ao longo de 2013, e pelo aumento da importação de combustíveis para atender à demanda da economia brasileira.

A expectativa do mercado financeiro para este ano, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, é de pequena piora do saldo comercial. A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 2 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior.

Já o BC prevê um superávit da balança comercial de US$ 3 bilhões para 2014, com exportações em US$ 240 bilhões e compras do exterior no valor de US$ 237 bilhões.

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