Enquanto o mundo discute os efeitos do novo coronavírus (Covid-19), vírus antigos têm levado mais pessoas aos postos de saúde na Bahia este ano do que em 2019. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), o número de casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), até meados de fevereiro, cresceu 27,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave é causada por agente virais, como o coronavírus SARS-CoV, descoberto em 2002. O levantamento da Sesab considera os casos notificados de janeiro até o dia 13 de fevereiro. Foram 79 ocorrências este ano e 62 no ano passado, que teve também 9 óbitos provocados pela SRAG.

Como os sintomas da doença são parecidos com o de uma gripe comum, como febre, dor de cabeça, calafrios e dor muscular, a população tem dificuldade de distinguir. Apesar disso, é o medo do coronavírus que tem levado os pacientes a buscar atendimento médico.

O infectologista dos Hospitais São Rafael e Couto Maia, Fábio Amorim, explica. “O que a gente vem notando é que a população está assustada por conta do que vem acontecendo no mundo, com isso temos uma busca do serviço de saúde com uma frequência maior, o que resulta em mais diagnósticos das outras doenças. Isso já dura cerca de dois meses. Nos dois hospitais que trabalho a gente teve documentado seis pacientes com H1N1, coisa que a gente não via. O ano passado a gente até dava diagnóstico clínico, mas agora a gente está tendo confirmação laboratorial de H1N1”, contou.

Das 79 notificações feitas esse ano, 9 casos foram confirmados para Influenza, sendo 7 de H1N1 e 2 do tipo B. Os médicos identificaram 8 situações provocadas por outros vírus respiratórios, como Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus e Metapneumovírus, e 43 amostras negativas. Cerca de 24% dos 79 casos ainda estão em investigação. Foram registrados 3 óbitos, mas não houve identificação com SRAG.

Para Amorim, apesar do aumento no número de casos notificados o perfil das vítimas da Síndrome Respiratória Aguda Grave não deve mudar. A população idosa é a que mais sofre com a doença, assim como os pacientes extremos (estado terminal) e os que tem doença de base, público mais atingido também pelo coronavírus, H1N1, e influenza B.

“A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que levam ao advento da doença respiratória grave que é a febre, seguida da dispneia, seguida da hipoxemia, que é a diminuição de oxigênio no sangue, que leva o paciente a rebaixamento sensório (redução do nível de consciência) com necessidade de suporte ventilatório. É indistinto, qualquer agente viral pode causar isso”, afirmou o infectologista.

Prevenção
Os vírus são transmitidos através do contato com a pessoa contaminada, por isso, é importante lavar as mãos várias vezes ao dia, principalmente antes de consumir algum alimento, e proteger a tosse e o espirro com lenço descartável. A recomendação dos especialistas é também não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas, e adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

A Sesab informou que desenvolve ações como a emissão e divulgação de alertas e boletins epidemiológicos, protocolos da influenza, notas técnicas, capacitações e visitas técnicas nas unidades para organização dos fluxos de notificação, coleta de amostras e disponibilidade do Oseltamivir (medicamento), alimentação e monitoramento do sistema SIVEP GRIPE, dentre outras. As ações constam no Plano de Enfrentamento da Influenza e são implementadas sempre que os subtipos A H1N1 e B são confirmados.

Dentre os 417 municípios baianos, 25 notificaram casos de SRAG e 7 deles confirmaram casos de Influenza. Salvador apresentou o maior número de casos notificados, equivalendo a 53,1% do total em todo o estado. Já as cidades de Feira de Santana, Juazeiro, Lauro de Freitas e Vitória da Conquista registraram 3 notificações cada.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde informou que a campanha de vacinação contra a gripe que estava prevista para começar no dia 19 de abril com grupos com crianças, idosos e gestantes foi antecipada. Ela terá início no dia 23 de março, por conta do coronavírus.

Confira medidas de prevenção dos vírus  

• Lavagem das mãos várias vezes ao dia, principalmente antes de consumir algum alimento;

• Evitar tocar a face com as mãos e proteger a tosse e o espirro com lenço descartável;

• Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

• Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

• Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

• Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

• Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

• Manter os ambientes bem ventilados;

• Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de influenza;

• Evitar sair de casa em período de transmissão da doença;

• Evitar aglomerações e ambientes fechados (procurar manter os ambientes ventilados);

• Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

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