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Os procedimentos adotados por um laboratório contratado pelo Bahia para realização de exames para Covid-19 entre os jogadores estão sendo apurados pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Segundo o clube, o Laboratório de Análises Clínicas Nossa Senhora de Fátima, com unidades em Candeias, Madre de Deus e São Francisco do Conde, definido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e responsável por testes complementares, realizou os procedimentos através do Sistema Único de Saúde (SUS). O caso foi revelado na última quinta-feira pelo site Bahia Notícias.

O laboratório utilizado pelo clube foi o mesmo disponibilizado pela CBF. Assim, a empresa recebeu pagamentos do Bahia e da CBF. Os exames pagos pela entidade máxima do futebol foram feitos de maneira normal. Os que foram pagos pelo Bahia tiveram a fraude. Procurada, a CBF não se manifestou sobre o assunto até o momento.

Após a realização dos testes, Bahia recebeu resultados como se tivessem sido feitos pelo SUS — Foto: Divulgação/E.C. Bahia

Após a realização dos testes, Bahia recebeu resultados como se tivessem sido feitos pelo SUS — Foto: Divulgação/E.C. Bahia

De acordo com o Bahia, foram realizadas, pela empresa, quatro rodadas do exame e, portanto, 26 testes. Contudo, após receber laudos do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen), constava que os procedimentos tinham sido feitos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Antônio, situada no bairro de Roma, na capital baiana. A partir daí, o Bahia entrou em contato com o Estado para buscar esclarecimentos. Foi nesse momento que a fraude foi detectada.

– Contratamos a mesma empresa que foi definida pela CBF para que não tivéssemos que fazer por dois laboratórios diferentes. O que aconteceu foi que os exames que solicitamos foram feitos como se fossem pelo SUS. O Bahia, o Lacen e a UPA foram vítimas, mas destacar a agilidade do Lacen para descobrir – disse o presidente Guilherme Bellintani.

– Foi um golpe muito primário, muito fácil de ser descoberto. O laboratório tinha uma parceria com a UPA, também fazia exames para eles e fizeram os exames do Bahia como se fossem pelo SUS – completou o presidente do Bahia.

Em nota, a empresa responsável por administrar a UPA Santo Antônio disse que terceiriza os serviços do laboratório Nossa Senhora de Fátima, mas garantiu que, “em nenhum momento, qualquer membro do Esporte Clube Bahia (ECB) compareceu” à unidade para realização dos exames.

– Lamentavelmente, ela fez uso ilícito de senha compartilhada do Instituto 2 de Julho, enviando a análise dos diagnósticos para o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen) como se fossem coletas realizadas na UPA Santo Antônio – diz trecho da nota da UPA.

Após a ciência da fraude, o Bahia diz que cancelou o contrato com a empresa. A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) apura o caso.

– Nós cancelamos o contrato e já contratamos um novo laboratório. A CBF descredenciou o contrato, e o Governo do Estado abriu uma queixa-crime para apurar o que aconteceu – disse Guilherme Bellintani.

Veja nota divulgada pela UPA Santo Antônio:

O Instituto 2 de Julho (I2J), organização social que administra a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Antônio, no bairro de Roma, vem a público esclarecer os fatos abordados na imprensa baiana, nesta quinta-feira (30).

Antes de mais nada, é imperioso registrar que nunca houve autorização nem foi de conhecimento do I2J a realização dos testes em questão na unidade. Cabe ressaltar, ainda, que, em nenhum momento, qualquer membro do Esporte Clube Bahia (ECB) compareceu à Upa Santo Antônio.

Nossa organização social terceiriza os serviços do laboratório Nossa Senhora de Fátima, empresa que também foi contratada para prestar serviços comerciais privados ao clube de futebol. Lamentavelmente, ela fez uso ilícito de senha compartilhada do Instituto 2 de Julho, enviando a análise dos diagnósticos para o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen) como se fossem coletas realizadas na UPA Santo Antônio.

Tão logo o Lacen nos comunicou o gravíssimo fato, adotamos as providências para que o laboratório identificasse os funcionários responsáveis pela conduta desonesta e, imediatamente, reportarmos os fatos às autoridades competentes. Além disso, pelo uso de má-fé, ações estão sendo tomadas para rescisão contratual com a empresa.

Nos colocamos à disposição para informações adicionais e salientamos que, devido ao nosso compromisso com a ética e transparência no serviço público, iremos reparar possíveis danos ao Lacen. O I2J preza, e sempre prezará, pela manutenção da equidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, ratificamos que todos os exames laboratoriais para diagnóstico da Covid-19 realizados nas dependências da Upa Santo Antônio foram ofertados a usuários do SUS no município do Salvador.

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