Deputado federal e presidente do Podemos na Bahia, Bacelar reconheceu nesta sexta-feira, 22, que a oposição ao governo de Jair Bolsonaro tem dificuldade de reagir contra o presidente. Ao comentar críticas de que o bloco contrário ao chefe do Executivo não consegue impor pautas contra Bolsonaro e nem mostrar alternativas ao atual governo, o parlamentar baiano admitiu que os oposicionistas não estavam preparados para combater o modus operandi bolsonarista.

“A gente não estava preparado para um presidente que tem momentos que é palhaço e tem momentos que é ditador. Quando ele canta cloroquina e rima com tubaína, como reajo a isso? Não estamos acostumados com a esculhambação da liturgia do cargo presidencial. Infelizmente, a grande imprensa também não”, lamentou, em entrevista na rádio A TARDE FM.

Ainda segundo Bacelar, a postura do presidente de estar em constante conflito contra os Poderes Legislativo e Judiciário não é amadora, e sim deliberada. O parlamentar também alertou que Bolsonaro é um “monstro” na Presidência, que precisar ser combatido pela população.

“Essa postura não é amadora, é de manipulação de dados, de manipulação das redes sociais. É um monstro que a sociedade brasileira precisa se reunir para enfrentar. Isso não é um palhaço que tá no governo. Ele faz palhaçada para atacar o sistema. É só ver que ele não se preocupa com reforma administrativa, não se preocupou com a Previdência, com o Pacote Anticrime. Não se interessa pelas coisas concretas”, criticou.

O deputado federal também atacou a iniciativa de Bolsonaro de pedir que a Câmara Federal vote em regime de urgência o projeto de lei do Executivo que flexibiliza regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Recentemente, o presidente encaminhou a líderes do Centrão uma lista de propostas consideradas prioritárias para aprovação em maio e junho. Entre elas, está o texto, que, entre outros dispositivos, aumenta a validade da carteira de motorista de cinco para dez anos e amplia de 20 para 40 pontos o limite para suspensão da habilitação.

Segundo Bacelar, isto quebra um acordo feito com a Câmara de que só seriam votados projetos relacionados ao combate à pandemia do novo coronavírus. Para o parlamentar, o interesse de Bolsonaro com a medida é apenas agradar sua base eleitoral.

“É de estranhar que um presidente da República se preocupe tanto com a questão de trânsito, de como flexibilizar regras. É o modo bolsonarista de enxergar a administração pública e a relação com a sociedade: o caos. Ele reproduz no Brasil o que alguns populistas fazem no mundo, e que está na Hungria, na Turquia, nos Estados Unidos. Com isso, agrada seu exército de seguidores”, repudiou o deputado, que lembrou que cerca de 42 mil pessoas morrem anualmente por acidentes de trânsito.

Segundo Bacelar, o projeto está sendo discutido em comissão especial na Câmara, que está com os trabalhos paralisados por causa do Covid-19. Deputados do colegiado chegaram a apresentar 230 emendas à proposta, criticada por políticos e entidades especializadas porque poderia causar aumento de acidentes e mortes no trânsito.

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